A 2ª Mostra Pan-Amazônica de Cinema acontece até domingo (16), no Cine Líbero Luxardo, em Belém (PA), com uma programação que reúne produções de países latino-americanos da Amazônia e dos estados da Amazônia Legal. O evento busca fortalecer o cinema produzido na região, com obras que abordam temas políticos, sociais e históricos sob uma perspectiva decolonial.
Segundo Gustavo Soranz, sócio da Rizoma Audiovisual e curador da mostra, o foco é valorizar quem faz cinema na Amazônia. “Na curadoria dessa segunda edição, escolhemos alguns pilares para selecionar os filmes. Primeiro, que fossem filmes que tocassem em pontos políticos, sociais, históricos importantes. E que fossem filmes recentes, permitindo interpretar a Amazônia a partir desses eixos muito relevantes de compreensão da complexidade, da sociodiversidade da região”, explica, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Entre os títulos exibidos estão produções inéditas no Brasil, como La Fortaleza (Venezuela), e premiadas internacionalmente, como T’ÁMÁ (Bolívia), exibido no Festival Sundance de Cinema em 2022. Soranz destaca ainda que “todos os diretores e diretoras desses filmes são ou dos países de origem ou dos estados da Amazônia Legal de origem. Nenhum filme é realizado somente por um realizador de fora da Amazônia. A Amazônia nunca é apenas cenário, paisagem ou um tema”.
O curador afirma que a mostra também propõe um diálogo entre diferentes territórios amazônicos, revelando semelhanças entre realidades da Bolívia, Colômbia, Peru e Brasil. “Temos a noção de que nos conhecemos pouco, e é interessante perceber que os problemas, as situações são muito semelhantes. Há uma dimensão de relações entre natureza e cultura, entre floresta e cidade, entre tradição e modernidade”, observa.
Entre os destaques da programação, Soranz cita o curta paraense Boiuna, de Adriana de Faria, e o filme indígena Nhiaki Poty, dirigido por Pati Kayapó, em parceria com o cineasta norte-americano Paul Chilson. “É um marco porque o cinema indígena, na maioria das vezes, é documental, e agora começa a elaborar narrativas ficcionais a partir das mitologias indígenas realizadas pelos próprios indígenas”, comenta.
O encerramento terá também a exibição de Mundureku, longa dirigido por um coletivo de cineastas Munduruku e produzido por Estevão Ciavatta. A sessão contará com a presença da cineasta Becca Munduruku e do diretor Pati Kayapó. “Vai ser um momento interessante para conversar sobre esse cinema que surge da colaboração. A luta indígena foi conquistando espaço e protagonismo, e no cinema vemos isso se consolidando”, celebra Soranz.
Parte das produções também está disponível online, no serviço de streaming Sommos Amazônia, até o dia 10 de dezembro. “A mostra se expande para além da sala de cinema em Belém para quem quiser ver em outros espaços”, informa o curador.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
