Ao longo dos cinco dias da Cúpula dos Povos, a brigada de agitação e propaganda do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) produziu uma arte nos muros da Universidade Federal do Pará (UFPA) que reforça a luta de camponeses em defesa da natureza.
“Os muros têm muito a falar e foi nesse sentido que ficamos com a tarefa de reproduzir a arte que representasse a Reforma Agrária Popular e deixar esse presente para a UFPA, que recebeu a Cúpula dos Povos”, explica Fernanda Farias, que compõe a Brigada Nacional Carlos Marighella.

A obra coletiva é inspirada na arte de Gildásio Jardim com alterações na elaboração feita por Anderson Augusto, que compõe a brigada permanente Cândido Portinari, e durante a Cúpula dos Povos foi conduzida pelo artista visual piauiense Lucas Sousa.
“Coloquei elementos que são gritos da terra: cada aspecto da destruição do nosso ecossistema incide diretamente sobre a humanidade e sobre toda a criação. Uma pessoa com o corpo em forma de terra seca e processo de desertificação de muitos dos nossos territórios; uma borboleta em forma de desmatamento, colocando em risco a biodiversidade e nossas florestas”, explica o brigadista Anderson.

Além disso, o mural apresenta também uma marcha de camponesas e camponeses empunhando a bandeira do MST e suas ferramentas de trabalho, trazendo sementes no propósito de plantio de milhões de árvores. Há nele, um homem idoso negro que entrega a uma jovem indígena uma muda de árvore, simbolizando toda a sabedoria das ancestralidades e a importância de passá-la para as novas gerações.
“A arte contém elementos da destruição da natureza e demarca a importância da luta dos povos, além de reforçar que a reforma agrária é fundamental para a garantia da justiça climática”, complementa Farias.
