A Petrobras está expandindo significativamente suas atividades de busca por petróleo no país, combinando descobertas recentes em regiões já conhecidas com a abertura de novas e importantes fronteiras. A estatal anunciou nesta segunda-feira (17) ter encontrado petróleo de alta qualidade em uma área da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro.
O achado ocorreu no bloco Sudoeste de Tartaruga Verde, em um poço exploratório localizado no litoral fluminense. O local da descoberta fica a 108 quilômetros da costa de Campos dos Goytacazes e tem 734 metros de profundidade.
O petróleo foi identificado na camada conhecida como pós-sal, que é a rocha situada acima da espessa camada de sal. Uma das vantagens do pós-sal é que o óleo está em profundidades menores, tornando sua extração geralmente mais simples quando comparada ao pré-sal.
Os primeiros testes, que incluíram análises elétricas e a coleta de fluidos, já confirmaram a presença de óleo. O próximo passo é enviar o material para análise laboratorial, o que permitirá à Petrobras avaliar a qualidade do reservatório e calcular o potencial de produção da área. A Bacia de Campos, que por décadas foi estratégica para a estatal, continua sendo um polo importante para o desenvolvimento de novos poços.
Essa nova descoberta se soma a outros sucessos recentes, como o achado de petróleo de alta qualidade no pré-sal da Bacia de Santos, em maio deste ano. O pré-sal, embora fique em regiões muito mais profundas, abaixo de uma grossa camada de sal, é conhecido por concentrar grandes volumes de petróleo de alta qualidade.
Margem equatorial
A Petrobras recebeu recentemente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) a licença para iniciar a perfuração de um poço exploratório em águas profundas na região da Foz do Amazonas. O bloco em questão, FZA-M-059, está a aproximadamente 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas e 175 quilômetros da costa.
A petroleira defende que comprovou a “robustez de toda a estrutura de proteção ambiental” que será utilizada na perfuração e a licença foi emitida após diversas melhorias no projeto e apresentação das condicionantes impostas pelo Ibama.
A estatal considera que a exploração em novas áreas é crucial para garantir a segurança energética do Brasil e assegurar os recursos financeiros necessários para uma transição energética justa.
O governo tem expectativas de que as reservas encontradas na margem equatorial poderiam sustentar uma produção diária de 1,1 milhão de barris, um volume superior ao que é produzido hoje nos dois maiores campos do país: Tupi, onde são produzidos cerca de 1 milhão de barris por dia, e Búzios, com produção de 800 mil barris por dia.
Apesar do grande potencial, o projeto não está livre de controvérsias. Ativistas ambientais manifestam críticas, citando os riscos ambientais envolvidos na exploração em uma região sensível e a possível ameaça às comunidades que dependem da pesca.
Contudo, o governo federal, por meio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem defendido que a exploração será feita de forma responsável, argumentando que o Brasil, assim como outros países, não está preparado para abrir mão dos combustíveis fósseis no momento.
