A decisão do Ministério da Educação (MEC) de substituir o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como avaliação da educação básica a partir de 2026 é um equívoco, afirma o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Daniel Cara. “Eu divirjo como uma pessoa que estuda avaliação da educação. O Enem é um exame de ingresso na universidade, e ele serve a esse objetivo”, disse, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Segundo Cara, o Enem e o Saeb têm papéis distintos e misturá-los pode distorcer o diagnóstico da educação brasileira. “O vestibular não determina a qualidade da educação. Passar em um vestibular não significa você ter tido uma educação de qualidade”, observou.
Para ele, o Saeb é um dos componentes necessários para entender o desempenho das escolas e deve ser preservado. “O Enem não deve ser um instrumento de avaliação, mas é um excelente instrumento de ingresso. O Enem é o Enem, o Saeb é o Saeb”, pontuou.
O professor explica que avaliações educacionais precisam considerar fatores sociais e territoriais, como violência, desigualdade e condições de aprendizagem, elementos que o Saeb observa de maneira mais ampla. “É impossível ter qualidade da educação em regiões com altíssima violência”, exemplificou, citando experiências de trabalho nos bairros de Jardim Ângela, Capão Redondo e Jardim São Luís, na Zona Sul de São Paulo. “É importante que a avaliação da educação considere todos esses fatores”, defende.
Cara elogiou a execução do Enem 2025, que contou com mais de 4,8 milhões de participantes nos dois últimos domingos, e avaliou o plano de expansão do exame para países do Mercosul como “fundamental”, porém reforça que isso não tem relação com a avaliação da educação básica. “O Enem trouxe boas notícias, mas não deve substituir o Saeb. Precisamos avançar para superar o Saeb, considerando-o como um dos ingredientes da qualidade da educação”, sugeriu.
O professor também alertou para a necessidade de acompanhamento social do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que será votado na Câmara dos Deputados a partir das 9h desta quarta-feira (19). “O que queremos é que os planos sejam implementados. É importante que as pessoas acompanhem. Precisa ter controle social”, indicou. A proposta cria metas para a educação brasileira até 2034.
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