PLANO DE TRUMP

Hamas critica resolução da ONU sobre Gaza por não respeitar ‘direitos e exigências’ de palestinos

Força militar internacional tem como missão desarmar grupos da resistência palestina

A Faixa de Gaza arrasada após dois anos de genocídio
A Faixa de Gaza arrasada após dois anos de genocídio | Crédito: AFP

O Hamas lamentou nesta segunda-feira (17) a aprovação pelo Conselho de Segurança da ONU de uma resolução que reforça o plano de paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a Faixa de Gaza, por não respeitar “as exigências e os direitos” dos palestinos.

“Esta resolução não responde às exigências e direitos políticos e humanitários de nosso povo palestino”, afirmou o movimento islamista em comunicado.

A declaração também critica a criação de uma força internacional cuja “missão inclui o desarmamento” dos grupos palestinos em Gaza.

“A resolução impõe um mecanismo de tutela internacional à Faixa de Gaza, o que o nosso povo, suas forças e seus componentes rejeitam, e impõe um mecanismo que tende a alcançar os objetivos” de Israel, advertiu o movimento.

Nesta segunda-feira, o Conselho de Segurança da ONU votou a favor de uma resolução elaborada pelos Estados Unidos que reforça o plano de paz de Trump para Gaza, o que inclui o envio de uma força internacional e um caminho para um futuro Estado palestino.

A resolução obteve 13 votos a favor, o que Washington classificou como histórico e construtivo. China e Rússia – dois membros permanentes do Conselho – se abstiveram e não vetaram a resolução.

Críticas russas

O embaixador da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, explicou por que seu país se absteve na votação da resolução dos EUA, expressando preocupação com a forma como ela marginaliza a participação palestina e acusando os EUA de não agirem de “boa-fé” para sua aprovação.

“O principal é que este documento não deve servir de pretexto para experimentos desenfreados conduzidos pelos EUA em Israel, no território palestino ocupado”, disse Nebenzia.

O embaixador expressou preocupação com o fato de a resolução não incluir informações sobre como a Força Internacional de Estabilização (FIE) trabalharia em conjunto com a Autoridade Palestina.

De acordo com a resolução adotada, disse Nebenzia, a força “pareceria capaz de agir de forma absolutamente autônoma, sem levar em consideração a posição ou a opinião de Ramallah”.

“Isso pode consolidar a separação da Faixa de Gaza da Cisjordânia. Lembra as práticas coloniais e o Mandato Britânico da Liga das Nações para a Palestina, quando a opinião dos próprios palestinos não era levada em conta”, disse o enviado russo ao Conselho.

Ele também expressou preocupação com o fato de ainda existirem dúvidas sobre o mandato da força sob o plano de Trump, incluindo se suas “tarefas de imposição da paz” poderiam “de fato transformá-la em parte do conflito, indo além dos limites da manutenção da paz”.

Prisão de Abbas

Pouco antes da votação na ONU, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, pediu nesta segunda-feira (17) a prisão do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, se o Conselho de Segurança da ONU se pronunciasse a favor de um Estado palestino.

“Se acelerarem o reconhecimento desse Estado fabricado, se a ONU reconhecer isso, você, senhor primeiro-ministro, deve ordenar o assassinato de oficiais do alto escalão da Autoridade Palestina, que são terroristas em todos os sentidos, e a prisão de Abu Mazen [Abbas]”, disse Gvir, em entrevista coletiva no parlamento israelense.

O projeto menciona a possibilidade de criação de um Estado palestino soberano e independente, perspectiva à qual o governo Netanyahu se opõe firmemente.

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