No entardecer do próximo sábado (22), em João Pessoa, o compasso do samba vai ecoar forte no Parque Parahyba 1. É o chamado ancestral de vozes femininas que, em coro, celebram arte, resistência e pertencimento com a linguagem do samba.

A capital paraibana será mais uma vez cenário do Encontro Nacional e Internacional de Mulheres na Roda de Samba, que chega à sua oitava edição com a força de quem transforma este ritmo em uma forma transatlântica, navegando entre tempos e territórios.
Reunindo cantoras, instrumentistas e compositoras de várias partes do Brasil e do mundo, o evento acontece simultaneamente em dezenas de cidades, conectando mulheres por meio da música.
A roda de samba será realizada no Parque Parahyba 1, a partir das 16h, com entrada gratuita. A programação completa será divulgada nas redes sociais do grupo Mulheres na Roda de Samba – João Pessoa (@mulheresnosambajp).
Este ano, o evento homenageia duas grandes referências do samba nacional: Nilze Carvalho e Dona Ivone Lara, além de reverenciar a mestra cirandeira, Vó Mera, símbolo de resistência e tradição na cultura popular paraibana.
Segundo as organizadoras, o encontro tem como proposta criar espaços de visibilidade, escuta e celebração, fortalecendo redes de apoio entre artistas e incentivando o protagonismo das mulheres no cenário musical. “Nosso objetivo é dar continuidade a esse movimento que vem crescendo a cada ano, reunindo mulheres que fazem o samba acontecer e que, juntas, ressignificam lugares de poder dentro da cultura popular brasileira”, afirmam.
Espaço de resistência e afeto
Mais do que uma apresentação musical, o Encontro é um espaço de resistência, afeto e trocas. A roda de samba aberta ao público será marcada pela diversidade de repertórios e estilos, valorizando a autoria e a interpretação feminina. O evento também busca incentivar novas gerações de sambistas, especialmente mulheres negras e periféricas, como guardiãs e criadoras dessa expressão cultural.
“É uma tarde para celebrar, mas também para refletir sobre os caminhos que ainda precisamos trilhar. O samba é nosso território, e cada mulher que pisa nesse chão reafirma sua história, sua voz e sua arte”, destaca uma das coordenadoras do grupo.
A edição de 2025 promete ser uma das mais marcantes, com participações de sambistas de diferentes estados e países. No Brasil, o movimento Mulheres na Roda de Samba foi idealizado pela sambista carioca Dorina Guimarães e já se realizou em dezenas de cidades. A cada edição, todas as rodas iniciam o evento executando os mesmos três sambas escolhidos pela homenageada nacional, na mesma levada e tom, criando uma atmosfera de união mundial das mulheres sambistas. Essa sincronia reforça o sentimento de pertencimento e a força coletiva do movimento.
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