O Parque da Lagoa se tornará território de memória e resistência no dia 20 de novembro. Das 8h às 17h, o evento “Nossa Ancestralidade Vive em Nós” contará com uma celebração: um momento de escuta do corpo, da história viva e da cultura afro-brasileira. Mestres e mestras irão conduzir vivências, oficinas e rodas dos saberes ancestrais do povo negro.

Coordenado por servidores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com apoio da Secretaria de Governo da Paraíba e da Apuama (Apuama Afroturismo Paraíba), o objetivo é reunir o povo negro e dar visibilidade às práticas culturais ancestrais como pilares da identidade brasileira.

Segundo Marcos Vinicius Ribeiro – técnico do Iphan e um dos organizadores do evento – na Paraíba e em todo o Brasil, o Dia da Consciência Negra tem se consolidado como um momento de reflexão e afirmação. Em João Pessoa, a presença negra é marcante, mas ainda enfrenta invisibilidade nas políticas públicas e na mídia. O evento busca ocupar o centro urbano com narrativas que historicamente foram marginalizadas. O encontro é uma resposta à necessidade de espaços públicos que celebrem a memória coletiva das populações negras. “É uma oportunidade de reafirmar que a presença negra é estruturante na formação cultural do Brasil e precisa estar visível, reconhecida e celebrada”, afirma Marcos Vinícius.
Ele destaca que a programação do evento nasceu do diálogo direto com mestres e grupos de capoeira e cultura popular, que não apenas conduzem oficinas, vivências e rodas, mas são reconhecidos como verdadeiros guardiões da memória cultural afro-brasileira. Cada atividade foi pensada em parceria com esses protagonistas, valorizando seus saberes e trajetórias. Mestre Charada, um dos articuladores da iniciativa, mobilizou diversas associações e coletivos, criando pontes entre os grupos e fortalecendo uma rede de união e resistência que se expressa no corpo, na música e na palavra.
“O objetivo é garantir não só a presença desses mestres, mas o reconhecimento do seu papel como educadores, formadores e transmissores de conhecimento. São eles que mantêm viva a ancestralidade em cada gesto, canto e roda”, destaca ele.
Capoeira, dança afro e maculelê
Entre as práticas culturais que terão destaque estão a capoeira, a dança afro e o maculelê. As oficinas e vivências serão conduzidas por mestres que compartilham não apenas técnicas, mas também histórias, espiritualidade e saberes comunitários.

“É preciso reconhecer que a população negra, historicamente marginalizada, não pode ser lembrada apenas em um dia ou um mês. Ela precisa ser celebrada e respeitada todos os dias, porque sua contribuição está na base de tudo o que somos enquanto sociedade”, afirma Marcos Vinícius.
O apoio institucional foi articulado pelo superintendente do Iphan/PB, Emanuel Braga, junto à Secretaria de Governo da Paraíba. A organização é coordenada por Marcos Vinicius Ribeiro e Elaine Paiva, em parceria com os mestres e grupos culturais.

Programação aberta e convite à população

A programação terá início com uma grande roda de capoeira, reunindo mestres, praticantes e o público em geral. Na sequência, serão realizadas oficinas simultâneas de capoeira, dança afro e maculelê, conduzidas por mestres e mestras convidados. Durante todo o dia, o espaço será ocupado por vivências culturais e pedagógicas, com destaque para a interação entre os participantes e os detentores dessas tradições. Apresentações artísticas também estão previstas ao longo da programação, com música, dança e performances .
Uma roda de conversa sobre memória, identidade e tradição será realizada no período da tarde, reunindo mestres, educadores e representantes de coletivos culturais para debater os desafios enfrentados pelas populações negras e os caminhos para o fortalecimento da ancestralidade no contexto urbano. O encerramento do evento será coletivo, com a participação de todos os envolvidos em uma atividade final que simboliza a união dos grupos e reafirma o compromisso com a valorização da cultura afro-brasileira. A programação é gratuita e aberta ao público.
Mestre Charada e Mestre Mestiço aproveitam para convidar toda a população para participar. “Queremos que as pessoas venham aprender, vivenciar e celebrar a cultura afro-brasileira em um ambiente de acolhimento, respeito e ancestralidade. É um gesto de reconhecimento e fortalecimento da memória negra na cidade”, afirmam.
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