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Jovens das regiões periféricas do DF apresentam relatório de desigualdades nos territórios

Em audiência pública na Câmara Legislativa nesta terça-feira (18), Inesc lança nova edição do Mapa das Desigualdades

Jovens participam da elaboração do Mapa das Desigualdades
Jovens participam da elaboração do Mapa das Desigualdades | Crédito: Divulgação/Inesc

A juventude periférica ocupou a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) nesta terça-feira (18) para trazer apontamentos acerca das dificuldades que assolam as regiões administrativas através do lançamento do Mapa das Desigualdades de 2025. O evento fez parte da programação da 3ª Semana Distrital do Hip Hop, idealizado pelo deputado distrital Max Maciel (Psol).

O levantamento é elaborado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e construído a partir do cruzamento dos dados coletados na Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad) com pesquisas qualitativas, permitindo analisar as disparidades que permeiam o território da capital. São reunidos os principais índices de desigualdade nas áreas da saúde, educação, mobilidade, infraestrutura e mobilidade.

“O Mapa das Desigualdades é uma ferramenta que, junto com toda essa juventude de várias regiões do Distrito Federal, vem a público para dizer que nós queremos mais saúde, mais educação, mais transporte público”, ressalta a assessora política do Inesc Cleo Manhas.

Disparidade

Na edição deste ano, foi revelada a disparidade entre regiões ricas e pobres na educação. Na Água Quente, SCIA e Estrutural, apenas 8% da população possui uma graduação. Em contraste, cerca de 80% dos moradores do Sudoeste, Octogonal e Lago Sul tiveram acesso ao ensino superior. Já em relação ao acesso à saúde, 90% da população periférica não tem plano de saúde. Esse número em regiões ricas chega a 70%.

Sol Nascente, Pôr do Sol, Estrutural, Santa Maria, Recanto das Emas, Itapoã, enfrentam déficits básicos de infraestrutura e segurança viária. Em Planaltina, por exemplo, apenas 37% dos domicílios têm acesso a travessias sinalizadas. Já em São Sebastião, esse número é de 40%. Quando se busca esse índice no Lago Sul e Plano Piloto, as taxas são de 70%.

“Nós estamos na capital do país, a cidade com o maior IDH apontado, a cidade onde reúne a maior renda per capita, mas infelizmente, durante anos, isso se concentra apenas em um lado da cidade. Porque o conjunto das cidades nossas que pontuamos aqui, vivem na desigualdade. Somos a capital mais desigual do país”, pontua o deputado distrital Max Maciel.

Mobilidade urbana

Referente à mobilidade urbana nas regiões, o Mapa revelou que a população periférica, especialmente os estudantes, utilizam o transporte público como principal meio para deslocamento. Em São Sebastião, 53,3% dos trabalhadores usam ônibus. Em Itapoã são 50,6% e no Paranoá 48,3%. Se olharmos as taxas do Plano Piloto, esse número cai para 12,9%.

“O [governador] Ibaneis, está com sua proposta de Tarifa Zero, que funciona nos domingos e feriados, mas a população está cansada de saber que não funciona, porque chegando domingo o ônibus não passa. Está havendo também uma privatização, além da rodoviária, dos estacionamentos. Das entrequadras no Plano Piloto, mas esse dinheiro não vai ser redirecionado para a infraestrutura do transporte público”, relatou Sara Lisboa, moradora da Ceilândia e apresentadora dos dados do mapa

O deputado distrital Fábio Félix (Psol), que esteve presente na audiência, parabenizou a iniciativa e ressaltou que a medida funciona como uma forma de avançar nas melhorias dos serviços públicos do DF.

“O Mapa nos ajuda a identificar, de forma qualitativa, quais são as desigualdades que encontramos nos territórios. Isso é feito a partir de um protagonismo que é das pessoas que vivem cada uma dessas realidades. Pudemos ver também um mapa de situações e problemas relacionados diretamente à desigualdade social, de acesso a serviços públicos em todo o Distrito Federal e também realizado com esse protagonismo”, destacou.

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Editado por: Clivia Mesquita

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