Socialismo

Candidata de esquerda Rixi Moncada apresenta plano de governo para as eleições em Honduras

Plano propõe reforma tributária progressiva, fortalecimento do Estado e criação de empresas públicas estratégicas

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Rixi Moncada apresenta seu plano de governo (Foto: redes sociais Rixi Moncada)
Rixi Moncada apresenta seu plano de governo (Foto: redes sociais Rixi Moncada) | Crédito: (Foto: redes sociais Rixi Moncada)

A candidata à Presidência de Honduras, Rixi Moncada, apresentou nesta quinta-feira (20) seu plano de governo Democratização da Economia 2026–2030. Trata-se de um documento detalhado, com 71 páginas, no qual ela reúne suas principais propostas para disputar as eleições previstas para o próximo 30 de novembro.

Durante uma apresentação de pouco mais de uma hora, realizada na cidade de San Pedro Sula, a candidata governista afirmou que as medidas incluídas em seu plano “buscam cumprir os mandatos constitucionais em matéria econômica e política”.

Com base no que descreveu como os “princípios do socialismo democrático” — a linha conceitual que orienta o projeto de governo do Partido Liberdade e Refundação (Libre) —, ela explicou que o objetivo do programa é “aprofundar, em uma nova etapa”, as políticas atuais para “redistribuir o poder, fortalecer o papel do Estado e priorizar o bem-estar coletivo”, sem “importar modelos externos”.

Como eixo principal para financiar as reformas, o documento propõe uma reforma tributária progressiva que obrigue os setores de maior renda a pagar mais. “Enquanto uma família pobre entrega até metade do que ganha, os mais ricos pagam menos de 1%”, afirmou Rixi.

A iniciativa busca reverter um sistema considerado um dos mais regressivos da região. Atualmente, mais de 60% da arrecadação estatal vem de impostos indiretos — como o imposto sobre vendas, que afeta toda a população —, enquanto tributos sobre grandes fortunas e rendas são praticamente inexistentes.

A tentativa de reformar o sistema tributário tem sido um dos principais pontos de conflito entre o governo e os setores econômicos mais concentrados do país. O governo de Xiomara Castro (Libre) tentou uma reforma nesse sentido; no entanto, nos últimos três anos ela foi bloqueada pelos tradicionais Partido Liberal e Partido Nacional, que mantêm maioria no Congresso.

Partindo da premissa de que “os grupos de poder e os ricos” não pagam tributos, enquanto as famílias de menor renda destinam grande parte do salário a impostos, a proposta de Rixi Moncada busca inverter essa lógica para aliviar a carga sobre as famílias trabalhadoras. O programa também prevê auditar e reorganizar o regime de isenções fiscais, a fim de direcionar o montante arrecadado para programas sociais.

Além disso, o plano propõe “fazer cumprir os artigos constitucionais que proíbem monopólios e oligopólios”. Segundo a candidata, a iniciativa busca reduzir a alta concentração econômica que afeta Honduras, país onde cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) está nas mãos de apenas 25 grupos empresariais — um modelo que, segundo ela, limitou o desenvolvimento e mantém a população em condições de profunda desigualdade.

Entre os projetos legislativos mencionados está a proposta de um pacote de leis para fomentar crédito destinado a pequenos comerciantes e incentivar o empreendedorismo, com ênfase especial na juventude.

A proposta também inclui o fortalecimento das empresas públicas já existentes e a garantia de acesso universal a serviços básicos, como saúde e educação. Além disso, prevê a criação de novas empresas públicas estratégicas, como uma Empresa Pública Petrolífera de Honduras — responsável pela exploração, extração e comercialização de recursos petrolíferos nacionais — e uma Empresa Nacional da Indústria Mineral. A iniciativa busca “proteger os recursos” diante daqueles que, segundo ela, “querem privatizar tudo e são inimigos do público”. Nesse sentido, afirmou que “nenhum país é livre se suas riquezas estão nas mãos de interesses alheios ao nacional”.

Ao longo de todo o discurso, Rixi insistiu que o Estado deve estar orientado ao serviço da pessoa humana, afirmando que “refundar” o Estado implica restaurar sua função pública e garantir que o crescimento econômico beneficie igualmente aqueles que produzem e trabalham.

As eleições gerais em Honduras serão realizadas no próximo dia 30 de novembro. Mais de 6,5 milhões de cidadãos estão aptos a escolher quem ocupará o cargo de presidente, os 128 deputados do Congresso Nacional e as autoridades municipais dos 298 municípios do país, entre outros cargos eletivos.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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