Documentário

Documentário ‘Mineração, Lucro e Devastação’, que expõe contradições da transição energética, tem exibição em Belém (PA)

Produção é fruto de parceria do Brasil de Fato com a Fundação Rosa Luxemburgo; evento ocorreu na cidade sede da COP30

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Diretora e pesquisadora responsáveis pelo documentário debateram a obra em Belém
Diretora e pesquisadora responsáveis pelo documentário debateram a obra em Belém | Crédito: Afonso Bezerra/Brasil de Fato

A Fundação Rosa Luxemburgo realizou nesta quarta-feira (19), em Belém (PA), a pré-estreia do documentário Mineração, Lucro e Devastação – a farsa da transição energética. O filme denuncia o impacto das atividades mineratórias em comunidades no Brasil e a contradição da chamada “transição energética”. O documentário foi realizado em parceria com o Brasil de Fato.

O foco da produção é mostrar como a expansão dos projetos de energias renováveis, apontados como a solução para abandonar os combustíveis fósseis, tem promovido violência e atingido diversas comunidades tradicionais. Em nome da transição realizada nos países do Norte Global, grandes transnacionais têm apostado na criação de megaempreendimentos em países do Sul Global.

“A mineração que expropria territórios, causa violência e mata pessoas não pode ser apresentada como solução climática. Uma transição baseada no velho regime de acumulação, que extrai, exporta e responde a demandas que não são nossas, nunca pode ser justa”, afirmou a professora Fabrina Furtado, uma das pesquisadoras responsáveis pelo documentário.

O filme mostra como o aumento da mineração de lítio no Brasil foi impulsionado pela quebra do monopólio estatal em 2022, o que abriu caminho para a exploração por empresas privadas e para a exportação. Esse processo tem avançado sobretudo no Vale do Jequitinhonha, além de regiões do Nordeste e da Amazônia, onde também se concentram projetos de energia renovável, como solar e eólica.

“O aumento da demanda por minerais vem do Norte Global, ligado à indústria tecnológica e à segurança nacional, enquanto os impactos ficam no sul. Quando se fala de carros elétricos, não está acontecendo um processo de transição, e sim de adicionalidade”, explica Elisangela Paim, diretora do documentário e pesquisadora da Fundação Rosa Luxemburgo.

A pesquisadora aponta que essa dinâmica não configura uma transição energética real, já que não há mudança no modelo de produção e consumo. Em vez de reduzir impactos, o que ocorre é uma substituição de combustíveis, mantendo as mesmas lógicas predatórias

“O que a gente tem visto é um aumento da exploração desses territórios do Sul Global e, principalmente, a violação de direitos humanos e direitos da natureza. Não se está alterando o modelo de produção e consumo, apenas ocorre uma troca de combustível”, concluiu.

O documentário ficará disponível no site da Fundação Rosa Luxembrugo. A pré-estreia aconteceu na Casa do Jornalismo Socioambiental, espaço que reúne diversos veículos com atuação na área ambiental, em Belém e que estão acompanhando a programação da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climáticas (COP30) e também acompanharam a Cúpula dos Povos, encerrada no último domingo (16).

Editado por: Maria Teresa Cruz

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