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Sem transição energética, adaptação nem financiamento: omissões nos rascunhos da COP30 provocam reação global

Grupo de países cobra avanços reais diante de textos vazios e teme que a COP30 termine sem compromissos concretos

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Após o incêndio que provocou uma evacuação repentina na COP30 durante a tarde de quinta-feira (20), as negociações em Belém (PA) foram retomadas e seguiram pela noite, culminando, já na madrugada, na divulgação de uma série de minutas — entre elas, o documento central da COP, batizado de “Mutirão Global”. O que mais chama atenção, porém, são justamente as lacunas desses textos preliminares. Não há propostas efetivas para a transição energética, adaptação climática, financiamento ou mecanismos de regulação do mercado de carbono, omissões que desencadearam forte reação contrária.

A pedido de Lula e de cerca de metade das delegações, e diante dessas ausências e da incerteza sobre recursos financeiros, um grupo de 30 países, reunindo nações europeias, latino-americanas e pequenos Estados insulares, enviou uma carta conjunta à presidência brasileira da COP manifestando “profunda preocupação” com o que consideram uma proposta “pegar ou largar”. No documento, os signatários afirmam que uma decisão frágil colocaria em risco a credibilidade do encontro.

“O legado da Presidência em transformar a COP30 em um marco histórico dependerá da qualidade — e não da pressa — do resultado”, escreveram. Segundo o texto, “uma decisão fraca será lembrada como uma oportunidade perdida e lamentável, prejudicando a credibilidade do processo, da Presidência e da própria conferência”. Bélgica e França confirmaram adesão ao documento.

O ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Carsten Schneider, também se posicionou. Em nota, afirmou que “o texto não pode permanecer como está. Precisamos de avanços mais concretos na ação climática. Junto a parceiros de diversas regiões, daremos suporte ao Brasil para que esta conferência alcance êxito. Serão negociações difíceis”.

O Observatório do Clima, por sua vez, criticou o conjunto de minutas, classificando-o como desequilibrado. A rede destacou que os rascunhos são “fracos nos pontos em que avançam e silenciosos em um tema crucial: não respondem à determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apoiada por 82 países, de apresentar um roteiro para a transição para longe dos combustíveis fósseis — expressão que, aliás, não aparece em nenhum dos 13 textos publicados”.

Para Yuri Paulino, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), há risco de a COP repetir o desempenho frustrante das últimas edições. “A conferência está seguindo a mesma lógica das anteriores, sem que os países do Norte global assumam compromissos robustos e ambiciosos frente à crise climática. Nos rascunhos em circulação, questões essenciais como a transição energética aparecem muito fragilizadas. Ainda assim, precisamos esperar até amanhã, último dia da conferência, para saber se haverá algum avanço concreto”, avaliou.

Editado por: Nathallia Fonseca

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