O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmou ter violado a tornozeleira eletrônica durante a prisão domiciliar, que ficou uma parte derretida. Em vídeo anexado ao processo contra o mandatário, ele afirma que tentou colocar um ferro de soldar no equipamento, mas disse que não tentou puxar o bracelete para arrebentar a tornozeleira.
A decisão de Moraes foi publicada depois que a Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape) encaminhou ao STF um relatório técnico e o vídeo mostrando o equipamento danificado com a justificativa de Bolsonaro.
No conteúdo, a agente de segurança pergunta se ele usou algo para queimar a tornozeleira. Bolsonaro responde: “meti um ferro quente aí”, e complementa explicando que era um ferro para soldar por “curiosidade”. Ele afirmou que tentou violar a tornozeleira no começo da tarde.
Esse foi um dos motivos citados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para determinar a prisão preventiva de Bolsonaro. O magistrado deu 24 horas para que o ex-mandatário explique a violação do equipamento.
Veja abaixo o diálogo com a agente
Agente: Equipamento 85916-5. O senhor usou alguma coisa pra queimar?
Bolsonaro: Meti um ferro quente aqui.
Agente: Ferro quente?
Bolsonaro: Curiosidade.
Agente: Que ferro foi? Ferro de passar?
Bolsonaro: Não. Ferro de soldar, solda.
Agente: Ferro de soldar? Aquele que tem uma ponta?
Bolsonaro: Sim.
Agente: Tá ok. O senhor tentar puxar a pulseira, também?
Bolsonaro: Não, não, não, isso não. Não rompi a pulseira não.
Agente: Pulseira aparentemente intacta, mas o case violado. Que horas o senhor começou a fazer isso, senhor Jair?
Bolsonaro: Já no final da tarde.
Agente: Final da tarde? Tá certo. Essa tampa chegou a soltar, não?
Bolsonaro: Não. Tudo em paz, tudo na paz aqui.
Risco de fuga
Bolsonaro foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal na manhã deste sábado (22). Além da violação da tornozeleira eletrônica, o ministro afirmou que existia um risco de fuga do ex-presidente, especialmente pela proximidade de onde ele cumpria prisão domiciliar com as embaixadas dos Estados Unidos e da Argentina.
A convocação de uma vigília pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também foi motivo de preocupação de Moraes. Na decisão, ele explica que a aglomeração em frente à casa de Bolsonaro poderia gerar uma movimentação para essa fuga. Moraes lembrou que o ex-presidente “planejou, durante a investigação que posteriormente resultou na sua condenação, a fuga para a embaixada da Argentina, por meio de solicitação de asilo político àquele país”.
Bolsonaro foi transferido para a sede da PF às 6h deste sábado. Lá, ele ficará em uma sala de 12m² preso preventivamente. Neste domingo, às 12h, está marcada uma audiência de custódia por videoconferência. A prisão preventiva não tem relação com a condenação a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
A defesa de Bolsonaro pediu que fosse concedida ao ex-presidente uma prisão domiciliar humanitária pelos problemas de saúde que ele enfrenta. Moraes negou o pedido. Os advogados alegam que o ex-presidente tem complicações cardiológicas, pulmonares, gastrointestinais, neurológicas e oncológicas, já que ele foi diagnosticado com câncer de pele.
Na decisão, Moraes também pediu que a Primeira Turma do STF faça uma reunião virtual para discutir a prisão preventiva. O magistrado marcou o encontro para segunda-feira (24) das 8h às 20h.
