O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na manhã deste sábado (22), durante a Cúpula de Chefes de Estado do G20, realizada em Joanesburgo, na África do Sul. Entre os temas abordados, o líder brasileiro destacou a desigualdade e a responsabilidade que devem ser assumidas pelo bloco diante da emergência climática.
A desigualdade extrema representa um risco sistêmico para “todas as economias”, disse o presidente. Segundo Lula, o G20 deve incentivar a adoção de mecanismos inovadores de troca de dívida por desenvolvimento e por ação climática. “O debate sobre tributação internacional e taxação dos super-ricos é inadiável”, afirmou.
De acordo com o presidente, o bloco – que reúne as 19 maiores economias do mundo – é peça-chave para uma transição energética justa e sustentável. Lula também criticou, de forma indireta, a ausência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não compareceu ao encontro, ao dizer que “nenhum país tem condições de prosperar em isolamento. As soluções que buscamos estão ao redor desta mesa”.
“O G20 responde por 77% das emissões globais. É do G20 que deve emergir o novo modelo de economia. O grupo é um ator-chave na elaboração de um mapa do caminho para afastar o mundo dos combustíveis fósseis”, disse Lula. A reunião ocorre paralelamente às negociações finais da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA).
“No ano em que o planeta ultrapassou, pela primeira vez e talvez de forma permanente, o limite de 1,5 grau acima dos níveis pré-industriais, a comunidade mundial tinha diante de si uma escolha: continuar ou desistir. Na COP da verdade, a ciência prevaleceu. O multilateralismo venceu”, afirmou o presidente.
Ele também reforçou que “é preciso preservar a capacidade deste fórum de tratar os grandes temas da atualidade. Se não formos capazes de encontrar caminhos dentro do G20, não será possível fazê-lo em um mundo conflagrado”, mencionando ainda que “o próprio funcionamento do G20 como instância de diálogo e coordenação está ameaçado”.
Lula não fez menção, em nenhum trecho do discurso, à prisão preventiva do opositor e ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado em setembro deste ano por tentativa de golpe de Estado no Brasil, entre outros crimes.
