A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), neste sábado (22), foi recebida pelo PT como um desfecho inevitável diante da tentativa de violar a tornozeleira e estimular protestos para tumultuar a fiscalização judicial, conforme consta da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o deputado Alencar Santana (PT-SP), a detenção confirma que “a anistia já morreu, não tem mais chance” e que o país exige o cumprimento da lei “não importa o seu grau social, sua influência política, sua riqueza”.
Em entrevista à edição especial do Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ele observou que a extrema direita tem tentado reagir para proteger o ex-presidente, mas que o movimento perdeu apoio desde as manifestações de setembro, também contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, derrubada no Senado. “A anistia seria mais um grande tapa, mais uma grande violência contra o nosso povo”, afirmou.
Também entrevistado no programa, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) demonstrou, da mesma forma, um ceticismo quanto ao avanço de qualquer projeto em prol da impunidade de Bolsonaro. “As condições políticas são muito difíceis para que isso aconteça”, disse, sobre a possibilidade de aprovação do Projeto de Lei (PL) da Anistia e da proposta de redução de penas para os envolvidos no 8 de janeiro.
Ele acredita que setores da direita devem explorar questões de saúde do ex-presidente, mas lembrou que “a população acha que Bolsonaro tem que cumprir a pena mesmo”, como mostraram levantamentos realizados sobre o tema. “Esperamos que ele já vá direto para a Papuda”, declarou em seguida, classificando a prisão dos condenados pela tentativa de golpe como “uma grande vitória da democracia no nosso país”.
Santana acrescentou que o Congresso não tem poder para reverter a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). “Só na visão dos golpistas”, criticou, lembrando que parlamentares bolsonaristas – como Marcel van Hattem (Novo-RS), que defendeu uma “reação contundente do Congresso” contra a prisão de Bolsonaro –, “são os mesmos que fecharam o parlamento por alguns dias”, o que ele qualificou como “uma atitude autoritária, anticonstitucional”.
Questionado sobre possíveis atos bolsonaristas, Zarattini defendeu que o campo progressista deve reagir se houver risco de retrocessos no Legislativo. “Se tiver uma ameaça de votar alguma proposta de anistia, a nossa reação tem que ser pronta e ocupar as ruas imediatamente”, sugeriu.
Extrema direita enfraquecida
Pensando nas eleições de 2026, Alencar Santana vê um impacto para o setor ligado ao ex-presidente. “O bolsonarismo e a direita em geral estão mais fracos do que estavam”, apontou, embora reconheça a permanência da polarização no país. Para ele, a direita irá testar nomes, “alguém mais gourmet” ou outro radical, mas perderá força com o enfraquecimento de sua principal liderança na prisão.
Na mesma linha, Zarattini analisou que a prisão reorganiza a direita, hoje em disputa interna. “A grande questão é saber se vai haver uma unificação desse campo em torno de Tarcísio [de Freitas]”, declarou. Ele avaliou que o governador de São Paulo depende do apoio bolsonarista, e, sem Bolsonaro, “outsiders” podem ser testados. “Gente que não é da política tradicional para tentar empolgar a população”, indicou.
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