DESMONTE

Conselho de Saúde pede esclarecimento ao governo Zema sobre inundação no Hospital João XXIII

Deputada Beatriz Cerqueira (PT) solicitou vistorias técnicas para atestar condições de funcionamento da instituição

O episódio de inundação no Hospital João XXIII, neste domingo (23/11), desencadeou uma série de reações e cobranças por parte de entidades de controle e lideranças políticas
O episódio de inundação no Hospital João XXIII, neste domingo (23/11), desencadeou uma série de reações e cobranças por parte de entidades de controle e lideranças políticas | Crédito: Foto: Reprodução/Redes Sociais

O episódio de inundação no Hospital João XXIII, neste domingo (23/11), desencadeou uma série de reações e cobranças por parte de entidades de controle e lideranças políticas, que voltaram a apontar falhas estruturais e riscos decorrentes do processo de terceirização da saúde em Minas Gerais. 

O Conselho Estadual de Saúde (CES-MG) confirmou que já enviou um ofício à Secretaria de Estado de Saúde pedindo explicações formais sobre o ocorrido e sobre as condições de manutenção da unidade, considerada o maior pronto-socorro de traumas do estado.

Já detectamos problemas no João XXIII, no João Paulo II, no Maria Amélia Lins

Já a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) solicitou, de forma urgente, ao Corpo de Bombeiros, à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais e à Defesa Civil de Belo Horizonte, vistorias técnicas em todos os setores do Hospital João XXIII e nas demais áreas do seu entorno, para avaliação da sua estrutura física, de modo que sejam atestadas as atuais condições de funcionamento, considerando os riscos que pacientes, acompanhantes, profissionais e demais pessoas podem estar sujeitos. 

Nos ofícios, a deputada explica que “considerando a gravidade do ocorrido e o agravamento dos riscos, é imprescindível e urgente a implementação de medidas para assegurar a segurança a vida, integridade física e saúde dos pacientes e seus acompanhantes, tais como de todos os profissionais que trabalham no Hospital João XXIII e demais pessoas que transitam diariamente no referido local”.

A presidenta do CES-MG, Lourdes Machado, afirmou que a entidade acompanha há anos denúncias de deterioração estrutural e de falta de investimentos na rede, especialmente nas unidades da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Segundo ela, a inundação deste domingo “não é um caso isolado”, mas o retrato de um processo que o Conselho denuncia “há pelo menos dois anos”, marcado pela precarização das estruturas físicas, redução de serviços e avanço de modelos de gestão terceirizada.

“Já detectamos problemas no João XXIII, no João Paulo II, no Maria Amélia Lins. Melhorias que deveriam ter sido feitas e que não foram. Ontem [domingo] fomos surpreendidos com aquela catarata, na verdade, várias cataratas de água”, afirmou. 

Lourdes explicou que o CES-MG vê um padrão de sucateamento que precede processos de privatização. “Em todos os estados onde houve terceirização, primeiro precariza. Depois, justifica a privatização”, lamenta. 

Ela ressaltou que a situação coloca pacientes e trabalhadores em risco, e que vídeos de pessoas correndo pelos corredores inundados evidenciam “uma situação de maus-tratos”. O Conselho aguarda resposta oficial do secretário de Saúde.

A crítica da conselheira refere-se ao projeto do governador Romeu Zema (Novo), que prevê a entrega de hospitais públicos da Fhemig ao Serviço de Saúde Autônomo (SSA). 

O PL 2127/24, de autoria do governo, prevê a criação de uma entidade privada sem fins lucrativos, com sede em Belo Horizonte, além de estabelecer uma série de diretrizes para organização do novo modelo de gestão do sistema.

:: Entenda o projeto que cria entidade privada para gestão da saúde:: 

Repercussão entre lideranças políticas e do setor

As imagens de corredores alagados, lâmpadas pingando água e pacientes usando guarda-chuvas repercutiram amplamente nas redes sociais e motivaram críticas contundentes à gestão de Zema.

O médico do SUS e vereador de BH Bruno Pedralva (PT) ironizou a situação, afirmando que o governo estaria lançando um novo programa: “afogaSUS”. Ele acusou o governador Romeu Zema de abandono.

“Ele só está preocupado em fazer campanha antecipada para presidente e abandonou Minas Gerais! Aqui, o trem tá feio!”, afirmou, por meio das redes sociais. 

Para o Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde/MG), o clima foi de “pânico” entre pacientes e funcionários. A entidade afirma que equipamentos podem ter sido danificados, incluindo aparelhos de tomografia. 

O que aconteceu no Hospital João XXIII

A forte chuva que atingiu Belo Horizonte no domingo provocou inúmeros vazamentos no teto do Hospital João XXIII, no Centro da capital. Vídeos feitos por funcionários mostram água escorrendo pelas luminárias, acumulando-se no chão e correndo pelos corredores, onde pacientes em macas dividiam espaço com funcionários tentando contornar os estragos.

Uma mulher chegou a usar um guarda-chuva para circular entre as áreas alagadas. Em outro registro, trabalhadores aparecem de pé sobre bancos para evitar a água. O almoxarifado também foi atingido, com caixas e equipamentos encharcados.

Apesar do caos registrado no domingo, a Fhemig informou, nesta segunda-feira (24), que o hospital voltou a operar normalmente. Não há, até o momento, informações detalhadas sobre eventuais danos permanentes ou sobre o impacto na rotina assistencial da unidade.

Outro lado

Procurada pela reportagem, a Fhemig informou que o alagamento registrado no Hospital João XXIII foi provocado pelo alto volume de chuvas, que sobrecarregou o sistema de drenagem pluvial.

“A manutenção foi acionada emergencialmente e a situação foi rapidamente controlada. O hospital segue em pleno funcionamento desde o fim da tarde de ontem, sendo que, em nenhum momento, houve suspensão na admissão de casos graves”, informou a entidade.

A Fundação afirmou, ainda, que alguns pacientes internados foram temporariamente remanejados para outras alas para que a manutenção pudesse ser realizada e rapidamente retornaram ao seu local de origem e que não houve equipamentos danificados. 

A direção acionou os setores responsáveis pela engenharia e manutenção para avaliar melhorias estruturais que ampliem a capacidade de vazão de água.

Editado por: Elis Almeida

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