O Dia Mundial de Eliminação da Violência contra a Mulher, em 25 de novembro, é mais do que uma data simbólica: é um chamado global para lembrar, reconhecer e enfrentar todas as formas de violência que seguem atingindo meninas e mulheres em todos os espaços, inclusive no mundo do trabalho, como vivenciam cotidianamente as bancárias.
A data surgiu em 1981, durante o Encontro Feminista da América Latina e do Caribe, realizado na Colômbia. O dia foi escolhido em homenagem às irmãs Patria, Minerva e María Teresa Mirabal, conhecidas como “Las Mariposas”, brutalmente assassinadas em 1960 pela ditadura de Rafael Trujillo, na República Dominicana. Militantes contra o regime, elas se tornaram símbolo de coragem e resistência.
Décadas depois, em 1999, a ONU declarou oficialmente 25 de novembro como o Dia Mundial de Eliminação da Violência contra a Mulher, reforçando que a violência de gênero é um problema estrutural e global, e que deve ser enfrentado com políticas públicas, educação, responsabilização e compromisso de toda a sociedade.
21 dias de ativismo e o combate ao assédio digital
Todos os anos, entre 20 de novembro e 10 de dezembro, ocorre a campanha dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, adotada e estimulada por diversos países, instituições e movimentos sociais. Em 2025, a ONU Mulheres enfatizou um tema urgente: o enfrentamento ao assédio digital.
Se antes a violência contra as mulheres se manifestava majoritariamente em espaços físicos, hoje ela se amplia no ambiente virtual — um território que deveria ser de liberdade e participação igualitária, mas que muitas vezes se transforma em espaço hostil.
Perseguição, monitoramento e ameaça atacam a dignidade das mulheres, silenciando, intimidando e restringindo sua presença no debate público e nos espaços de poder, inclusive no setor financeiro e bancário, onde a digitalização do trabalho avança rapidamente.
O assédio digital pode se somar às práticas tradicionais de violência, criando novas formas de pressão, exposição e controle sobre as bancárias.
Além disso, muitos atendimentos hoje são realizados por canais digitais, o que tem aumentado o número de ataques e agressões cometidas por clientes, muitas vezes direcionadas às mulheres.
Memória e compromisso
Ao lembrar as irmãs Mirabal e os 21 dias de ativismo, lembramos também de Simone, funcionária do setor de limpeza do sindicato, nossa colega, brutalmente assassinada pelo ex-companheiro em setembro e reafirmamos que a luta contra a violência de gênero é histórica, coletiva e ainda urgente. A defesa da vida das mulheres em casa, nas ruas, nos bancos ou nas redes é parte essencial da luta por democracia, igualdade e direitos.
O SindBancários segue comprometido com essa pauta e conclama toda a categoria a somar esforços neste 25 de novembro e durante todo o ano: violência contra a mulher não tem desculpa, não tem fronteira e não tem espaço, nem no mundo real, nem no digital.
*Cláudia Stella é diretora de Gênero do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região.
**Este é um artigo de opinião e não representa necessariamente a linha editorial do Brasil do Fato.
