Entre os dias 20 e 23 de novembro, mais de 100 jovens rurais de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia e do Acre estiveram reunidos no município de Moreno (PE), região metropolitana do Recife, para definirem bandeiras e lutas prioritárias para o próximo ciclo. Batizado de Feira de Saberes e Sabores da Juventude Camponesa Nordestina, o evento foi organizado pela Pastoral da Juventude Rural (PJR) e, entre outras coisas, buscou fortalecer a identidade cristã e a luta pelo direito à permanência no campo, com acesso às mesmas políticas públicas disponíveis para a população urbana.
Natural de Aroeiras, no Agreste paraibano, Moizés Alves explica que o encontro foi importante para fortalecer aqueles jovens nas lutas por seus direitos. “A demanda comum a todos nós é aquela apresentada pelo Evangelho do camponês de Nazaré, de construir um mundo novo em que a juventude camponesa tenha vez, voz e direito assegurado de permanência no campo”, avaliou. Questionado sobre o que seria necessário para garantir essa permanência, ele traduz. “Escolas do campo e no campo com boa infraestrutura; trabalho e renda; estradas de qualidade; acesso à informação e tecnologia”, resumiu.


O evento contou com a participação de uma enviada do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Maria Eduarda Vasconcelos, convidada para falar da política e do plano nacional de juventude e sucessão rural. “Ele se ancora nos pilares de acesso a terra e território, inclusão produtiva desses jovens, geração de trabalho e renda, qualidade de vida, educação do campo, comunicação, participação e democracia”, resume Vasconcelos, que pontua ainda programas chave para os jovens rurais como os de Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) e de fortalecimento da agricultura familiar com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) Jovem.
A representante do MDA também destaca a centralidade do acesso a terra para os jovens camponeses da região Nordeste. “É a demanda principal. Muitos deles vivem em comunidades pequenas, com seus pais, e não conseguem se ver de maneira autônoma, independente. Então garantir terras para esse jovem desenvolver seu trabalho é fundamental. E tem a questão do acesso a água para a produção. As cisternas ajudaram muito a garantir água para consumo doméstico, mas não para a produção rural”, explica. Natural do Sertão do Cariri paraibano, ela ocupa o posto de coordenadora-geral de Juventude Rural no MDA.


Vasconcelos também destaca a importância dos jovens rurais nordestinos. “Aqui há uma identidade muito forte de se enxergar como jovem rural, além de serem forjadas lideranças bastantes jovens, que desde cedo se envolvem nos grupos de base e associações rurais. A juventude se vê como parte ativa daquela comunidade”, diz a coordenadora do MDA. “A sucessão rural traz essa perspectiva de dar ao jovem a escolha de permanecer ou não no campo. Mas para isso, ele precisa ter acesso às políticas públicas, à infraestrutura de internet e comunicação, que lhe dê a possibilidade de exercer suas profissões no campo”, conclui.
O encontro contou com momentos de debate e análise do cenário político e social no Brasil e no Nordeste; a importância das políticas públicas para a sucessão (transição geracional) para as populações do campo, das florestas e das águas; um momento no roçado, com plantio e colheita de itens a serem doados para cozinhas populares solidárias das periferias; e, claro, uma feira com itens trazidos pelos jovens. “Foi muito importante para fortalecer a mística e a espiritualidade, reafirmando a identidade de fé da PJR”, pontuou Moizés, que é educador popular e coordenador estadual da PJR em Pernambuco.
Feira de Saberes e Sabores da Juventude Camponesa recebeu jovens com idades entre 15 e 25 anos cinco dos estados. Toda a programação se deu num espaço do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no assentamento rural Che Guevara, na zona rural de Moreno (PE).

