Deputadas, ministras e militantes negras estiveram nesta terça-feira (25) na Câmara para uma sessão solene em homenagem à Marcha Mundial das Mulheres Negras. O pedido de reparação e de políticas públicas fizeram parte dos discursos das lideranças e marcaram a ocupação de um Congresso com pouca representação para as mulheres negras.
A sessão foi presidida pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ). Militante histórica do movimento e primeira senadora negra do Brasil, a congressista abriu espaço do plenário para organizações e movimentos populares que viajaram à Brasília para participar da marcha.
A deputada e líder do Psol na Câmara, Taliria Petrone (RJ), foi a primeira a discursar. Ela disse que a presença de mulheres negras na Câmara dos Deputados é representativo para o Brasil porque mostra qual é “a cara do país”.
“O povo brasileiro é uma mulher negra, e ocupar esse espaço é representativo. Nós temos hoje um projeto de país. A nossa existência é de dor, mas também não existe um Brasil sem o poder das mulheres negras. A agenda do bem viver passa por reparação”, disse.
Outra a discursar no plenário foi a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo. Ela destacou que na última marcha, realizada em 2015, as pautas eram parecidas com o debate atual, mas o genocídio da população negra seguiu e intensificou em 10 anos, o que liga um sinal de alerta para o movimento organizado.
“Em 2015 estávamos aqui marchando e advogando por políticas públicas e por reparação. Em 2025 a gente ainda chega com muitas pautas importantes na ordem do dia. E hoje temos um recado claro: se vocês combinaram de nos matar, nós combinamos de não morrer”, afirmou.
A sessão também contou com a presença das ministras da Igualdade Racial, Anielle Franco, e da Cultura, Margareth Menezes.
A assistente social e militante Ednolia Andrade viajou da Bahia ao Distrito Federal para participar da marcha e conta que esteve no primeiro encontro, há 10 anos. Ela destaca que as pautas hoje são ainda muito parecidas com o que era debatido naquela ocasião, mas reforça que é necessário ter avanços importantes com projetos de lei e políticas públicas que sejam, de fato, efetivas.
“Nós tivemos um pouco de avanço, mas ainda estamos tratando das mesmas pautas. As políticas públicas precisam ser absorvidas pela população. A questão racial é uma questão de todos os brasileiros. Enquanto as pessoas não entenderem esses recortes, elas vão continuar reproduzindo processos de violência. E nós, mulheres negras, somos quem mais sofremos por conta disso. Não consigo pensar em democracia sem justiça para as mulheres negras”, disse ao Brasil de Fato..
No processo de avanço do debate, as militantes reforçam que as mulheres negras que vieram antes são fundamentais na luta. A ancestralidade é um termo importante dentro do feminismo negro por fazer esse resgate da história de quem veio antes na luta. E não foi diferente nesta terça no plenário da Câmara.
A ativista Maria Jardim, do coletivo Pretas de Angola, em Goiás, destaca que estar nesse espaço é fundamental porque mostra a própria força da marcha e dos movimentos negros organizados no país. “É muito simbólico e significativo para o povo negro brasileiro. Entendermos e fazer valer essa ideia de casa do povo, de que esse espaço é nosso também. Tem um peso simbólico ocupar a Câmara nessa configuração política, mostra a força a da marcha e da organização das mulheres negras no Brasil”.
