O Instituto Nacional de Aeronáutica Civil anunciou, na noite desta quarta-feira (26), a revogação da licença de voo para seis companhias aéreas, incluindo a brasileira Gol.
Segundo o Instituto, as empresas “se somaram às ações de terrorismo de Estado promovidas pelo governo dos Estados Unidos, suspendendo unilateralmente suas operações comerciais de e para a República Bolivariana da Venezuela”, o que justificaria a medida.
Além da Gol, a LATAM, Avianca (Colômbia), TAP (Portugal), Iberia (Espanha) e a Turkish Airlines também tiveram suas licenças revogadas.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, afirmou que a decisão do governo busca defender a soberania do país. “O governo nacional, em uma decisão soberana, disse às empresas que, se em 48 horas não retomassem os voos, então que não os retomassem mais. Fiquem com seus aviões e nós ficamos com nossa dignidade.”
Na segunda-feira (24), representantes do Instituto Nacional de Aeronáutica Civil e o ministro de Transportes, Ramón Celestino Velásquez Araguayán, se reuniram com dirigentes das principais companhias aéreas que operam no país para tratar da suspensão dos voos.
Nesta reunião, o prazo de 48 horas para que as operações comerciais fossem retomados foi apresentado.
A posição foi criticada pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), em uma nota divulgada após o encontro. “Essa decisão reduzirá ainda mais a conectividade com o país, que já é um dos menos conectados da região.”
Na última sexta-feira (21), a Administração Federal de Aviação dos Estado Unidos emitiu um alerta sobre uma “situação potencialmente perigosa” no espaço aéreo do país, devido ao “agravamento da situação de segurança e ao aumento da atividade militar na Venezuela e em seus arredores”.
O comunicado desencadeou uma série de suspensões de voos. Depois, no dia 24, as autoridades da Espanha também emitiram outro alerta sobre os riscos de segurança, o que resultou em novos cancelamentos.
Ainda assim, o espaço aéreo venezuelano segue aberto. Nesta quarta-feira (26), por exemplo, um avião da estadunidense Eastern Airlines aterrissou no Aeroporto Internacional Simón Bolívar. A aeronave transportava 175 venezuelanos que foram deportados dos Estados Unidos.
A iniciativa foi criticada pela vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez. “Esta companhia aérea estadunidense realiza dois voos semanais com venezuelanos repatriados, enquanto [os EUA] pressionam e ameaçam companhias aéreas de outros países para que não voem para a Venezuela”, disse, em um comunicado divulgado pelas redes sociais.
Além das companhias aéreas venezuelanas, as empresas Copa Airlines, do Panamá, as colombianas Wingo e Satena e a Boliviana de Aviación, da Bolívia, mantiveram suas operações, apesar do alerta emitido pelos Estados Unidos.
O Brasil de Fato entrou em contato com as companhias que tiveram licença revogada, sem resposta até esta publicação. O texto será atualizado caso haja retorno.
