Na tarde e noite deste sábado (29), um conjunto de coletivos políticos, culturais, artísticos e militantes autônomos se reúnem no skate park da rua da Aurora, no centro do Recife, para relembrar e debater, 20 anos depois, sobre as revoltas do transporte do Recife, movimento que eclodiu em 2005 e incendiou a luta contra o aumento das tarifas de ônibus da capital pernambucana. A programação tem início às 14 horas, com rodas de diálogo, shows musicais, batalha de rap e apresentações artísticas. O skate park fica em frente ao nº 1.139, na rua da Aurora, bairro da Boa Vista.
O encontro destaca que, muito antes da onda de protestos de 2013 e de mobilizações como Ocupe Estelita, já havia uma juventude recifense tomando as ruas contra as catracas e os reajustes abusivos nas tarifas de transporte. Naquele ano de 2005, a atuação conjunta de coletivos independentes, movimentos anarquistas, grupos de hip hop, punks e comunicadores populares desencadeou numa das primeiras grandes vitórias contemporâneas da luta da juventude contra as catracas. Esse marco político impediu o aumento da passagem, ampliou o debate sobre transporte público gratuito e impulsionou novas formas organizativas na cidade.
A programação traz duas rodas de diálogo que propõem conexões entre passado e presente. Em Nós faremos com que você nunca esqueça: 20 anos de 2005, os participantes revisitam os protestos que incendiaram ônibus, ocuparam avenidas e mostraram como aquele movimento transformou a vida política da cidade. Já em A cidade é nossa: por uma cidade sem catracas, o debate amplia o olhar para as disputas por moradia, mobilidade, permanência no centro e resistência ao avanço do capital imobiliário, relacionando lutas que vão das margens de Maranguape ao Ibura, de São Lourenço às áreas costeiras.
Além das conversas, o evento conta com apresentação circense da Família Malanarquista, show da banda Nação Corrompida, batalha de rap com Boca no Trombone e discotecagem de DJ Bruxa Noise. A programação inclui também exibição de vídeos e comida vegetariana servida pela Cozinha Voraz, reforçando o caráter comunitário e acessível do encontro. A proposta central é reacender a memória coletiva e fortalecer a organização popular diante das batalhas atuais e futuras. Para os organizadores, lembrar 2005 é reafirmar que a cidade pertence a quem a vive, constrói e luta por ela diariamente.
A celebração conta com o apoio de organizações e coletivos que constroem, no cotidiano, as lutas urbanas e culturais da cidade: o Movimento Passe Livre do Grande Recife, a Kapiwara Agroecologia Urbana, a Cozinha Voraz, o Provinha Bar & Pista, Ameciclo, Caranguejo Tabaiares Resiste, GRIS Solidário, o Sítio Ágatha Afroecologia, o Boca no Trombone, a banda Nação Corrompida e os coletivos Tripé e Família Malanarquista.
