SEGURANÇA ALIMENTAR

Conab entrega a cesta número 1 milhão e anuncia investimento de R$ 79 milhões em cozinhas solidárias

Evento aconteceu na Unidade Armazenadora da companhia em Canoas, referência na entrega de alimentos durante a enchente

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O marco reforça o papel estratégico da estatal no combate à insegurança alimentar e nutricional, além do atendimento a grupos afetados por calamidades
O marco reforça o papel estratégico da estatal no combate à insegurança alimentar e nutricional, além do atendimento a grupos afetados por calamidades | Crédito: Débora Beina

A entrega da cesta número 1 milhão a populações vulneráveis de todo o país pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi realizada na manhã desta sexta-feira (28). A cerimônia, realizada na Unidade Armazenadora de Canoas, na região Metropolitana de Porto Alegre, reuniu cerca de 300 pessoas, entre representantes de cozinhas solidárias que atuaram durante a enchente de 2024 e beneficiários diretos das doações, como quilombolas e pescadores.

Autoridades e representante de movimentos sociais destacaram os avanços no enfrentamento à fome e a importância da agricultura familiar e das cozinhas solidárias para garantir alimentação de qualidade às famílias brasileiras. Desde 2023 foram investidos R$ 245 milhões na aquisição das cestas — recursos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), operacionalizados pela Conab.

O presidente da Conab, Edegar Pretto, em coletiva de imprensa, ressaltou que o momento simboliza tanto prestação de contas quanto planejamento. “Não faltará dinheiro para comprar comida para quem precisa. Saímos do mapa da fome, mas o passo seguinte é garantir nutrição, comida não só em quantidade, mas também em qualidade”, afirmou.

Ele destacou ainda o papel das cooperativas e das cozinhas solidárias, abastecidas majoritariamente por alimentos adquiridos pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), aproximando fornecedores e recebedores “para projetar um futuro com mais recursos”.

Durante o evento, o presidente da estatal, Edegar Pretto, destacou o papel da Conab como instrumento essencial na resposta a eventos climáticos extremos | Crédito: Catiana de Medeiros/Conab

A relevância da Conab para a política de segurança alimentar também foi enfatizada pelo deputado estadual Adão Pretto (PT), que celebrou o papel da companhia no retorno do Brasil ao mapa da dignidade alimentar. “O Brasil saiu do mapa da fome graças a instrumentos como a Conab”, disse, pedindo aplausos aos servidores, às cozinhas solidárias e aos movimentos sociais.

O superintendente da estatal no estado, Glauto Lisboa Melo Júnior, reforçou a importância da estrutura local: “É uma honra receber a todos na nossa unidade, que tem sido uma base operacional fundamental para a Companhia Nacional de Abastecimento”.

“É uma honra receber a todos na nossa unidade, que tem sido uma base operacional fundamental para a Companhia Nacional de Abastecimento”, afirmou Melo Júnior | Crédito: Catiana de Medeiros/Conab

Representando o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), Naiara Bittencourt destacou o esforço conjunto entre Estado e sociedade civil na reconstrução das políticas de combate à fome. “Tiramos o Brasil do mapa da fome neste ano, e fizemos isso juntos: governo, sociedade civil e movimentos sociais”, afirmou.

Ela lembrou que o processo ocorreu em meio a graves crises climáticas, citando o Rio Grande do Sul como exemplo da necessidade de reorganizar capacidades de resposta e adaptação. “Não foram anos fáceis, e ainda há muito a ser feito”, completou.

Compromisso com os direitos do povo

O trabalho de reconstrução institucional da Conab também foi lembrado por parlamentares federais. Para a deputada suplente Reginete Bispo (PT), o papel de Edegar Pretto tem sido decisivo: “Reconstruir a Conab é reconstruir o PAA e o alimento que vai à mesa das famílias brasileiras. Parabéns por alcançar um milhão de cestas básicas, e sabemos que virão muitos outros milhões”.

A deputada Maria do Rosário (PT) reforçou que a entrega de alimentos deve ser vista como direito humano, não como assistencialismo. “Hoje celebramos a conquista de um milhão de cestas básicas. Trata-se de garantir um direito constitucional”, afirmou.

A deputada Daiana Santos (PCdoB) destacou que muitos dos espaços atendidos pelas políticas de abastecimento estavam marcados pela desestrutura e só começaram a se reorganizar “com a volta do presidente Lula, com a Conab fortalecida e com um grupo político que, mesmo não sendo a maioria, tem compromisso com o povo brasileiro”.

Já o deputado Bohn Gass (PT) conectou o tema da alimentação às pautas ambientais e tributárias, defendendo “a produção de comida limpa, de qualidade, preservando o meio ambiente”.

“Sem comida, não há reconstrução”

Representando os movimentos sociais, Alexânia Rossato, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), reforçou que a comida é a base de qualquer processo de reconstrução, especialmente nas localidades afetadas por eventos extremos. “A cozinha é o coração. Sem comida, não há reconstrução”, disse, agradecendo em nome dos atingidos e celebrou: “Viva a nossa Conab!”.

Em ato simbólico durante o evento, a milionésima cesta foi entregue a representantes do público prioritário da ação governamental, com o objetivo de assegurar o direito constitucional à alimentação. Na mesma ocasião, um caminhão da companhia foi carregado com 560 cestas, o equivalente a 12,3 toneladas de alimentos, que serão enviadas à coordenação regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) de Passo Fundo (RS).

Além da marca histórica das entregas, a cerimônia também reforçou a integração de outras políticas públicas voltadas ao enfrentamento da fome | Crédito: Catiana de Medeiros/Conab

O Rio Grande do Sul, epicentro da mobilização nacional após a tragédia climática de 2024, tornou-se o estado que mais recebeu apoio emergencial da Conab. Desde 2023, já foram entregues mais de 265 mil cestas de alimentos, o equivalente a 5,8 mil toneladas, sendo mais de 153 mil distribuídas apenas durante as enchentes do ano passado, no momento mais crítico da crise. A Unidade Armazenadora de Canoas destacou-se como referência na operação, coordenando a logística que permitiu levar alimento às famílias atingidas pela maior enchente da história do estado e evidenciando a urgência e a dimensão da resposta humanitária.

Desde 2023, as cestas vêm sendo destinadas a diversos grupos em situação de vulnerabilidade, como indígenas, pescadores, extrativistas, quilombolas, povos de terreiro, comunidades ciganas, catadores de recicláveis, assentados, acampados e atingidos por barragens, estiagens e enchentes. As entregas também abastecem cozinhas emergenciais, defesas civis e prefeituras. Cada cesta atende uma família de quatro pessoas, o que totaliza aproximadamente 4 milhões de atendimentos no período, ou 9,4 milhões de refeições.

“A cozinha é o coração”

Em 3 de maio de 2024, a cidade de Canoas foi atingida por uma tragédia climática sem precedentes, que marcou a vida de cerca de 180 mil moradores e transformou profundamente o cotidiano das comunidades mais devastadas. Nos bairros onde a água avançou com força, as marcas da enchente permanecem na lembrança das famílias afetadas. 

Presidenta da cozinha solidária da Associação de Moradores da Vila Getúlio Vargas, no bairro Mathias Velho, dona Carmen dos Reis detaca a importância do programa do governo federal | Crédito: Clara Aguiar

Após as águas baixarem, a cozinha solidária, chamada de Esperança, da Associação de Moradores da Vila Getúlio Vargas, localizada no bairro Mathias Velho, passou a funcionar de maneira improvisada para atender a população que perdeu tudo e não tinha acesso regular a alimentos. Todos os dias, às 7h30, a associação iniciava a preparo das refeições, que chegou a produzir cerca de 600 marmitas distribuídas diariamente na época.  

Presidenta da associação, dona Carmen dos Reis falou sobre a importância do programa do governo federal para manter em funcionamento as cozinhas solidárias. “É de extrema importância para nós. É sobre combate à fome, combate das pessoas em situação de vulnerabilidade social. A gente só tem a agradecer. Muito obrigado ao presidente Lula. É de extrema importância para manter aberta as cozinhas e para poder combater e continuar combatendo a fome”, celebrou.

R$ 18,6 milhões para cozinhas solidárias

Além da marca histórica das entregas, a cerimônia também reforçou a integração de outras políticas públicas voltadas ao enfrentamento da fome. A Conab anunciou novos investimentos no PAA, destinados ao abastecimento de cozinhas solidárias cadastradas no MDS. Nesta etapa, serão aplicados R$ 79 milhões em compras da agricultura familiar em todo o país. Desse total, R$ 18,6 milhões serão destinados ao Rio Grande do Sul, sendo R$ 13 milhões especificamente para a aquisição de proteínas. O estado concentra 21,8% das cozinhas solidárias habilitadas pelo MDS. Com o novo aporte, o investimento acumulado desde 2023 em cozinhas solidárias gaúchas alcança R$ 77,43 milhões.

Itanajara Almeida, representante do núcleo de cozinhas solidárias de matriz africana do Rio Grande do Sul, ressaltou que a distribuição realizada pela Conab não apenas assegura o acesso à alimentação, mas também fortalece o cuidado comunitário. “As cozinhas fornecem não só comida, mas também um olhar de que estamos ali cuidando e protegendo aquela comunidade”, observou.

O evento também contou com a presença dos diretores da Conab, Arnoldo de Campos (Operações e Abastecimento) e Silvio Porto (Política Agrícola e Informações), além de autoridades federais, estaduais, parlamentares, representantes de movimentos sociais e entidades parceiras.

Editado por: Marcelo Ferreira

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