As livrarias independentes da cidade de São Paulo se uniram para lançar o primeiro Mapa das Livrarias de Rua, uma ação coletiva que reúne ilustrações das fachadas, endereços e informações de 37 estabelecimentos. O material, ilustrado por Isadora Ferraz e com projeto gráfico de MZK, começou a ser distribuído gratuitamente nesta semana nas próprias livrarias, em eventos literários e espaços culturais da capital. A versão digital também está disponível.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o jornalista e livreiro João Varella, da Banca Tatuí e da Livraria Gráfica, contou que a ideia nasceu de forma despretensiosa e reflete tanto a criatividade quanto as dificuldades enfrentadas pelos livreiros. “Surgiu de conversas muito informais entre as livrarias, espaços muito agradáveis, muito legais, mas que nos bastidores enfrentam situações muito difíceis, ainda mais do ponto de vista econômico e de uma queda no interesse e na leitura de maneira geral”, disse.
Segundo ele, a articulação começou com apenas seis livrarias e um simples marcador de página distribuído em 2022. O sucesso levou, no ano seguinte, à realização de uma festa simultânea em diversos espaços. Agora, o coletivo chega a 37 integrantes que fizeram um financiamento coletivo para produzir o mapa ilustrado. A tiragem chegou a 40 mil exemplares, ampliada graças ao apoio de editoras, gráficas e fornecedores de papel.
Para Varella, o mapa tem também um caráter político. “O mapa acaba sendo um ato político porque ele não consegue contemplar tudo, é uma representação. Neste mapa, de livrarias. Então estamos dizendo que esses são os pontos de interesse”, afirma. Ele destaca que a publicação funciona como um convite a caminhar pela cidade e viver a “serendipidade”, o encontro inesperado com um livro ou com um novo percurso urbano.
O projeto também levanta um debate sobre a distribuição desigual desses espaços. “Existe uma grande concentração em regiões específicas da cidade de livrarias. Não é uma situação que gostamos”, diz. Para ele, ocupar o espaço público com cultura transforma a cidade. “Quando habitamos a rua, o espaço público é nosso”, afirmou. Ele cita o caso da Praça Roosevelt e da própria Banca Tatuí, que ajudou a revitalizar uma esquina antes associada ao tráfico. “Passou a ser uma esquina muito habitável, muito agradável, que todo mundo gosta”, celebrou.
A iniciativa não conta com apoio institucional; nasceu da mobilização direta dos livreiros, “com planilha aberta”, pontuou Varella. O grupo pretende avaliar a possibilidade de novas edições. “Vamos torcer que venham mais edições. Está na mesa fazer uma nova edição com mais livrarias”, anunciou.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
