Em um contexto de crescente intromissão dos Estados Unidos nas eleições de Honduras, Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (28) que concederá um “indulto total e completo” ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández. Atualmente, o político está preso nos EUA por crimes relacionados ao tráfico de drogas.
Em uma mensagem publicada nas redes sociais, Trump afirmou que Hernández — uma das principais figuras do Partido Nacional — foi tratado “muito duramente e injustamente” e voltou a pedir votos para o candidato do Partido Nacional, Nasry “Tito” Asfura. Segundo ele, o indulto seria concedido apenas se Asfura vencer as próximas eleições presidenciais, marcadas para o próximo domingo (30).
“Tito será um grande presidente, e os Estados Unidos trabalharão de perto com ele para garantir o sucesso total de Honduras. Além disso, concederei um indulto total e completo ao ex-presidente Juan Orlando Hernández, que, segundo muitas pessoas a quem respeito profundamente, foi tratado com muita dureza e injustiça. Isso não pode acontecer, especialmente agora, após a vitória eleitoral de Tito Asfura, quando Honduras se encaminha para um grande sucesso político e financeiro”, afirmou Trump.
Quem é Juan Orlando Hernández?
Juan Orlando Hernández é uma das principais figuras do tradicional Partido Nacional de Honduras. Ele teve papel central no golpe de Estado de 2009, que depôs o então presidente Manuel “Mel” Zelaya, iniciando um período de 12 anos em que o Partido Nacional governou o país por meio de fraudes eleitorais, intensa repressão interna e crescente autoritarismo. Esse período coincidiu com o aumento do tráfico de drogas no país.
Após um breve período de instabilidade, Hernández governou Honduras entre 2014 e 2022. Em 2017, conseguiu se reeleger mesmo com a proibição constitucional, fato que gerou protestos massivos e denúncias de fraude eleitoral.
O histórico de Hernández é marcado por acusações de corrupção e ligações com o narcotráfico. Segundo a Justiça dos Estados Unidos, ele usou seu poder presidencial para proteger e enriquecer traficantes próximos. Além disso, há provas de que recebeu milhões em subornos para sua campanha e para a reeleição de 2017.
Os escândalos de corrupção e narcotráfico culminaram em 2024, quando Hernández foi considerado culpado por um tribunal federal de Nova York por conspiração para tráfico de drogas e armas. Em junho do mesmo ano, foi condenado a 45 anos de prisão e cinco anos de liberdade condicional, após ser comprovado que recebeu milhões em subornos antes e durante seu mandato para favorecer grupos de narcotraficantes.
Ingerência dos Estados Unidos
Esta é a segunda vez que Donald Trump faz um apelo público para votar no candidato do Partido Nacional, Nasry “Tito” Asfura, ex-prefeito de Tegucigalpa, que enfrenta investigações por desvio de fundos, lavagem de dinheiro e outros crimes.
Na última quarta-feira (26), por meio de uma longa publicação nas redes sociais, Trump declarou apoio a Asfura, afirmando que “a democracia está em risco nas próximas eleições no belo país de Honduras”. Em sua mensagem, apresentou Tito Asfura como “o defensor da democracia” e um combatente do “comunismo”.
Ao mesmo tempo, acusou seu principal oponente, o candidato do partido governista Libre, Rixi Moncada, de ser “comunista” e colaborar com o “narcoterrorismo”. “Será que Maduro e seus narcoterroristas tomarão o controle de outro país, como fizeram com Cuba, Nicarágua e Venezuela? Quem defende a democracia e luta contra Maduro é Tito Asfura, o candidato presidencial do Partido Nacional”, declarou.
O anúncio de Trump coincide com a intensificação das operações militares dos Estados Unidos no Caribe, incluindo ações extrajudiciais contra embarcações sob a alegada luta contra o tráfico de drogas.
