No Dia Mundial de Combate à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), celebrado nesta segunda-feira (1º), o influenciador Rafael Roller, que vive com Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e produz conteúdo sobre o tema, afirmou que estigmas dos anos 1980 continuam marcando a vida das pessoas soropositivas. “As pessoas ainda têm muito medo de contrair HIV, e eu acho que o medo é meio perigoso até, porque ele impede de falarmos mais sobre isso”, disse.
Roller relatou ataques recebidos nas redes sociais ao comentar sua própria oscilação de carga viral. “As pessoas têm a tendência de me culpar e questionar quantas pessoas eu já infectei”, contou. Para ele, essa reação expõe a raiz do preconceito. “A pessoa que vive com HIV é colocada como o vilão da história”, resumiu.
O influenciador explicou o que significa estar indetectável, quando a carga viral fica tão baixa devido ao tratamento contínuo que torna a transmissão sexual impossível, mas não aparece em exames rápidos. “Além de ser um dado médico, é um dado revolucionário também”, apontou. “Estar indetectável permite que tenhamos uma qualidade de vida muito superior ao que tínhamos duas décadas atrás”, celebrou.
Segundo ele, o avanço é tão expressivo que aproxima a experiência de algo “quase como uma cura”, já que o vírus deixa de causar impacto clínico significativo. “A única consequência que temos, de fato, é tomar dois comprimidos por dia, e tem gente que já toma um só”, explicou.
Em 1980, “víamos o HIV e a Aids como a mesma coisa”, lembrou Roller. “Associávamos muito a grupos específicos, especialmente pessoas LGBT+, e encarávamos a Aids como uma sentença de morte”, acrescentou. Para ele, “chegar em um momento em que pessoas são indetectáveis e nem transmitem mais o vírus é uma revolução científica muito gigantesca”.
Ele defende que a prevenção seja compreendida como uma responsabilidade compartilhada, mas sobretudo individual. “Se duas pessoas se relacionam, as duas pessoas precisam cada uma cuidar da sua própria prevenção. Elas podem sim cuidar juntas, mas sem esquecer que a prevenção é individual. Se todo mundo entendesse isso, não teríamos novos casos de HIV”, indicou.
O influenciador também lembrou que hoje existem diversas ferramentas de prevenção, além da camisinha: medicamentos de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e Profilaxia Pós-Exposição (PEP), e métodos para impedir a transmissão vertical. “O que falta mesmo é as pessoas se informarem mais e entenderem que o HIV não tem cara”, pontuou.
Juventude e prevenção
Questionado sobre a percepção de que jovens estariam menos atentos aos riscos, Roller disse que o problema é menos “falta de medo” e mais desinformação. “O assunto morreu um pouco, e isso também influencia no pouco cuidado de algumas pessoas”, avaliou.
Ele reforçou que mesmo relações monogâmicas de longa duração requerem atenção. “Algumas pessoas acreditam que não precisam fazer mais nada sobre a prevenção delas. Existem muitos casos assim. E foi o meu caso, inclusive”, relatou.
“Se eu pudesse dizer alguma coisa para as novas gerações, e até para as mais antigas: precisamos nos informar mais”, concluiu.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
