Segurança alimentar

Ultraprocessados estão associados a doenças cardiovasculares e diabetes, alerta pesquisadora

Consumo desse tipo de alimento alcança 23% da dieta dos brasileiros

População brasileira está cada vez mais expostas a ultraprocessados, sobretudo em comunidades pobres, aponta estudo
Crianças brasileiras estão cada vez mais expostas a ultraprocessados, sobretudo em comunidades pobres, aponta estudo | Crédito: Unicef/Rai

Os alimentos ultraprocessados estão ganhando cada vez mais espaço na mesa dos brasileiros. Um estudo publicado na revista The Lancet e liderado pelo pesquisador brasileiro Carlos Monteiro, coordenador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens / USP) mostrou que o caso não é exclusivo do Brasil e é acompanhado por outros 91 países. Se na década de 1980 os ultraprocessados representavam 10% dos alimentos consumidos, agora somam 23% da dieta dos brasileiros. Nos Estados Unidos esse índice chega a 60%.

“Esses alimentos aumentam as chances do desenvolvimento de doenças crônicas como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e câncer”, diz a pesquisadora do Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Segurança Alimentar e Nutricional (Gisan) vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Camilla Cherol. Além disso, o consumo desses alimentos está associado à depressão e ansiedade e ao atraso no desenvolvimento infantil. “Portanto, é recomendado evitar seu consumo”, alerta a pesquisadora ao Brasil de Fato.

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O Guia Alimentar da População Brasileira explica que alimentos ultraprocessados são aqueles que na sua receita incluem excesso de gordura, açúcar e sal. Nessa fórmula também estão incluídos elementos fabricados em laboratório a partir do carvão e do petróleo para realçar o sabor e garantir uma longa durabilidade para esses alimentos.

E é por isso que quando abrimos um pacote de salgadinho, é difícil comer só um, mesmo quando não se está com fome. Entre os exemplos desses alimentos estão biscoitos recheados, salgadinhos “de pacote”, refrigerantes e macarrão “instantâneo”, mais conhecido como miojo e comidas prontas congeladas. No entanto, garantir uma alimentação saudável é um desafio para o poder público.

Mapa da Fome Carioca

Além do sabor atrativo, muitas vezes os ultraprocessados têm preços mais baixos e demandam menos tempo de preparo. O que acaba sendo uma opção vantajosa para muitas pessoas que convivem com situações de insegurança alimentar – quando não há garantias de que terão o que comer – e mesmo com a fome, o grau mais alto dessa insegurança.

Em 2024, o Gisan/UFRJ divulgou o Mapa da Fome no Rio de Janeiro e mostrou que quase um terço dos moradores da capital convivem com algum grau de insegurança alimentar. Essa população alcança 2,14 milhões de pessoas, diante de uma população total de 6,7 milhões. Desse total, 490 mil convivem com a fome. Uma situação que se concentra na zona oeste e na zona norte e principalmente entre aqueles que não têm acesso regular ao abastecimento de água. 

Para garantir não apenas a alimentação, mas que ela seja de qualidade, existem alguns programas do município que promovem alimentação saudável como Cozinhas Comunitárias, restaurantes populares, Circuito Carioca de Feiras Orgânicas, Feiras livres, Hortas Cariocas. Neles é possível consumir alimentos in natura, como frutas, legumes, arroz, feijão.

No entanto, eles não são suficientes. “O Inquérito identificou pouco orçamento nesses programas e ações de segurança alimentar, limitado número de estabelecimentos e das pessoas atendidas, além da concentração de programas e iniciativas em determinadas áreas de planejamento, além da dificuldade em estabelecer parcerias intra e intersetoriais entre as secretarias, limitando a articulação de programas”, avalia.

Editado por: Vivian Virissimo

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