O advogado e cientista político Jorge Rubem Folena avalia que a crise instalada no PL desde a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) revela um partido sem direção e dominado por disputas internas. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ele afirmou que a sigla vive um nível de desorganização que tende a se aprofundar. “O PL está batendo cabeça nesse momento”, resumiu.
Folena sustenta que todas as tensões atuais – como o conflito no Ceará entre a direção nacional e a base local com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, após ela criticar o apoio do partido ao ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) – têm origem na ausência do ex-presidente, preso desde julho e definitivamente afastado do processo eleitoral. “A principal liderança do PL é Jair Bolsonaro. Agora, Bolsonaro está fora de cena”, disse. Para ele, sem esse eixo, “o PL passa por uma grande crise, e uma crise de disputa de poder interno”.
O cientista político afirma que o partido se estruturou totalmente em torno do bolsonarismo, e que essa escolha cobra seu preço agora. “A unidade do PL era construída em torno da figura fascista de Bolsonaro. E, infelizmente, Valdemar Costa Neto [presidente do PL] entregou o partido dele para o contingente fascista”, afirmou. Ele lembra que Michelle Bolsonaro, os filhos do ex-presidente e lideranças regionais já têm demonstrado uma disputa aberta por protagonismo.
Segundo Folena, a fragmentação é inevitável. “O PL não é um partido que tem unidade. A família Bolsonaro tem seus interesses, Michelle quer se apresentar como liderança nacional, e há interesses regionais diversos”, analisou. Para ele, a sigla chega a 2026 “completamente perdida”.
Messias no STF
Sobre a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o cientista político avaliou que o governo deve superar a tensão criada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que adiou a sabatina do indicado.
“Quem está criando o problema não é o Presidente da República”, declarou. Para Folena, Alcolumbre age por descontentamento político. “Ele ficou insatisfeito que o presidente da República elegeu o doutor Jorge Messias ao invés do senador Rodrigo Pacheco”, apontou.
O advogado reforçou que cabe exclusivamente ao presidente da República escolher o ministro do STF. “Onde está escrito na Constituição que o presidente deve ligar para o presidente do Senado antes de indicar um ministro? Em nenhum lugar”, criticou. Para ele, Alcolumbre cometeu um erro político e constitucional ao tentar impor o ritmo da indicação. “Ele está criando crises institucionais onde não deveria criar”, destacou.
Folena encerrou a entrevista exibindo uma revista que trazia uma manchete do próprio Alcolumbre defendendo a independência e harmonia entre os Poderes. “Depois que indicou o doutor Jorge Messias, parece que fez tudo diferente. Olha a contradição”, ressaltou.
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