AGENDA PRESIDENCIAL

Em Pernambuco, presidente Lula destaca papel estratégico da Petrobras para desenvolvimento do país e futuro sustentável do planeta

'A gente vai fazer a Petrobras continuar servindo ao Brasil', afirmou Lula em passagem por Pernambuco

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Presidente esteve em Ipojuca e Cupira para assinatura de obras e entrega de barragem
Presidente esteve em Ipojuca e Cupira para assinatura de obras e entrega de barragem | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, esteve em Pernambuco nesta terça-feira (2) para duas agendas públicas. No primeiro momento, Lula esteve na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Ipojuca, Região Metropolitana, onde realizou a assinatura simbólica do início das obras de conclusão do Trem 2 e manutenção do Trem 1, com um investimento de R$ 12 bilhões em aumento da produção, capacitação e medidas de transição energética. 

Hoje, a Abreu e Lima é considerada a mais moderna das refinarias da Petrobras, com uma produção de 88 mil barris diários, com expectativa de expansão para 260 mil até 2029. A construção do Trem 2 emprega 5,7 mil trabalhadores atualmente e prevê gerar cerca de 15 mil postos de trabalho diretos e indiretos ao longo do empreendimento.

Em sua fala, o presidente reforçou o papel estratégico da refinaria para o desenvolvimento da Petrobras, consequentemente, para o desenvolvimento do país. Lula lembrou que, quando a Rnest começou a ser idealizada e durante seu desenvolvimento, foi alvo de uma campanha difamatória que questionava a necessidade de sua existência e a apontava como um foco de corrupção. 

“A gente voltou para dizer: a gente vai fazer a Petrobras continuar servindo ao Brasil. Fazer isso aqui é apenas a demonstração de que esse país é soberano e tem na Petrobras sua mais importante empresa. O dinheiro que a Petrobras consegue produzir nesse país tem que se transformar em benefício para o povo brasileiro e benefício significa emprego, emprego significa salário e salário significa dignidade”, afirmou o presidente Lula.  “A história vai provar que quem queria fazer corrupção eram aqueles que diziam que tinham corrupção na Petrobras (…) é preciso que o povo brasileiro aprenda o significado dessa empresa”, complementou o presidente. 

A fala do presidente ainda passou por pontos como uma emocionada defesa em prol do combate à violência contra mulheres.

“Essa semana teve um cara que pegou duas pistolas na mão e descarregou contra a mulher. Teve um outro que matou a mulher grávida com três filhos, tocou fogo na casa. Teve um outro que atropelou a mulher a arrastou ela [por] um quilômetro. Essa mulher vai sobreviver com as duas pernas amputadas. A pergunta que eu faço é a seguinte: o Código Penal brasileiro tem pena para fazer justiça a um animal irracional como esse?”, questionou.

Lula também fez um balanço das perspectivas de sustentabilidade após a COP 30, realizada no último mês em Belém. 

“Queríamos que entrasse no documento a questão do combustível fóssil, precisamos mapear ou desenhar um roteiro para diminuir a utilização do combustível fóssil. O Brasil é o país do mundo que tem mais autoridade moral nisso. Os países ricos querem chegar a 40% de energia renovável em 2050. Temos que olhar para cara deles, rir e dizer ‘enquanto vocês querem chegar a 40% em 2050, em 2025, o Brasil já tem 53% de energia renovável”, declarou Lula. 

Lula continuou a falar do tema e destacou o papel estratégico que a estatal brasileira deve ter em um futuro de energia sustentável. “A Petrobras, embora seja uma empresa de petróleo, ela é mais que isso. Ela é uma empresa de energia e tem que utilizar parte do dinheiro que ganha para fazer a transição energética. Haverá um dia que não teremos combustível fóssil e a Petrobras pode ser a maior empresa de energia renovável do planeta Terra”, continuou. 

Raquel Lyra de volta

Na ocasião, o presidente esteve acompanhado pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), e pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB). Em agosto, após sinalizações de que o PT apoiaria a candidatura de João Campos ao Governo do Estado, a governadora optou por não participar das agendas públicas de Lula no estado, retornando agora e dividindo o palanque com o futuro adversário. 

Também estiveram presentes ministros pernambucanos, como Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroporto) e Wolney Queiroz  (Previdência Social), assim como os também ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além da presidente da Petrobras, Magda Chambriand, e outras autoridades e parlamentares.  

Em sua fala, a governadora Raquel Lyra agradeceu ao presidente por não desistir da Rnest e de obras paralisadas, como a da Barragem de Panelas II, entregue também nesta quinta-feira e ponto da segunda agenda do presidente. Lyra continuou destacando ações de seu governo e traçando paralelos com ações do Governo Federal, prometendo também criar 60 mil vagas de creche no estado. 

“Em todos os municípios pernambucanos, tem creche nova ou sendo construída. E eu não perguntei, como o senhor também não, quem votou em mim ou deixou de votar. Ou quem vai votar em mim na próxima eleição, porque não é sobre voto”, afirmou a governadora em seu discurso. “Eu não vim aqui para tirar retrato, nem para fazer um filme bonito, presidente. Eu vim aqui para fazer transformação, para deixar minha contribuição para a população do nosso estado”, complementou Lyra. Ao fim de sua fala, ao lado do presidente e com a bandeira do estado em mãos, recebeu um “parabéns para você” em razão de seu aniversário, comemorado nesta quinta-feira. 

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, voltou a se aproximar do presidente Lula
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, voltou a se aproximar do presidente Lula | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

Pouco antes, o prefeito do Recife, João Campos discursou, ressaltando que “a história do nosso estado é uma história antes e depois de Lula”. Assim como o presidente, destacou também como a refinaria enfrentou críticas no passado e se transformou em um grande foco de geração de emprego e renda em Pernambuco. 

“A gente sabe que o país passou por um grande risco de perder toda essa sua conquista. Precisou o presidente Lula voltar para reafirmar que o Nordeste é parte da solução do Brasil e poder trazer mais desenvolvimento para cá”, afirmou Campos. “Porque quando Lula é presidente, o povo que mais precisa sai beneficiado, porque a oportunidade chega. Então feliz do Brasil que tem um presidente como Lula”, concluiu. 

BARRAGEM PANELAS 2

Ao fim da tarde, na segunda parte da agenda, o presidente Lula esteve entre os municípios de Cupira e Panelas para participar da cerimônia de entrega da Barragem Panelas 2, no Agreste do estado. O investimento no equipamento foi de R$ 66 milhões, com uma capacidade de armazenar 16, milhões de metros cúbicos. 

Por lá, o presidente discursou sobre o histórico da política nacional com o Nordeste antes de sua gestão, destacando aspectos negativos como mortalidade infantil, desnutrição, analfabetismo, falta de cobertura elétrica, relembrando também sua própria história pessoal ao migrar do interior de Pernambuco para São Paulo. Pontuou também obras e investimentos feitos na região, como os R$ 45 bilhões em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) previstos para Pernambuco e a Transposição do São Francisco. 

“Quando cheguei na Presidência da República, eu sabia que, em 1846,  D. Pedro 2º tinha tentado fazer a transposição do Rio São Francisco, para levar água ao semiárido nordestino. E essa obra nunca foi feita, porque alguma parte de governadores de outros estados não deixavam fazer. Depois de mais de 130 anos, eu ganho as eleições e falei ‘eu vou fazer a transposição do São Francisco. Eu vou levar água para 13 milhões de nordestinos no semiárido, custe o que custar’. Hoje posso dizer que é a obra hídrica mais importante do mundo”, declarou Lula.

Na ocasião, também foi assinada a ordem de serviço das obras da barragem de Igarapeba, no município de São Benedito do Sul, próximo ao local do evento, pela governadora Raquel Lyra e o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. 

Maior que a barragem de Panelas 2, a de Igarapeba, tem custo estimado em R$ 71 milhões e volume útil de 33 milhões de metros cúbicos. A obra deve beneficiar os municípios de Jaqueira, Maraial, Palmares, Barreiros, Água Preta e Catende, além da própria São Benedito. Paralisada desde 2015, a obra foi contemplada no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e tem conclusão prevista para 2030.

Editado por: Luís Indriunas

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