A cidade de São Paulo registrou 53 feminicídios de janeiro a outubro deste ano, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o maior número desde a série histórica iniciada em 2015. O estado somou 207 casos no período. Os dados coincidem com episódios recentes de violência brutal, como a mulher atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na marginal Tietê pelo ex-companheiro.
Para a codeputada estadual Paula Nunes (Psol), da Bancada Feminista, os números refletem o crescimento do ódio de gênero e a ausência de políticas públicas. “Existe um aumento crescente do ódio praticado contra as mulheres nas redes sociais, mas também fora delas”, afirma. Sem uma estrutura adequada para o combate a essa violência, “o resultado só pode ser esse”, lamenta.
Na avaliação da parlamentar, “o estado de São Paulo não tem explodido em número de violência contra as mulheres à toa. Tem explodido porque não tem uma política consistente, séria de segurança pública no combate a essa violência”.
Nunes critica, por exemplo, o não cumprimento estadual da lei que determina Delegacias de Defesa da Mulher 24h. “Existem um pouco mais de 120 delegacias especializadas no estado, mas pouquíssimas funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana”, denuncia. Ela também aponta a precarização dos centros de referência. “Esses centros estão deixando de existir na cidade”, indica.
Para ela, romper o ciclo da violência exige políticas de moradia, saúde e autonomia econômica. “É impossível que uma mulher rompa um ciclo de violência se ela é dependente economicamente desse homem”, explica. “A quebra do ciclo da violência contra a mulher é uma política pública global”, defende.
A codeputada relaciona o cenário ainda à ascensão da extrema direita e ao discurso masculinista. “O crescimento da extrema direita traz também o crescimento de um ódio às mulheres e de um ressentimento de gênero”, diz. “A extrema direita está diretamente ligada a chancelar esses discursos de ódio”, observa.
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