Tensão

Congresso dos EUA se mobiliza para barrar possível intervenção militar de Trump na Venezuela

Democratas e republicanos prometem acionar a Resolução de Poderes de Guerra em caso de ataque

O senador Tim Kayne é um dos parlamentares americanos que defende o uso da Resolução de Poderes de Guerra em caso de ataque
O senador Tim Kayne é um dos parlamentares americanos que defende o uso da Resolução de Poderes de Guerra em caso de ataque | Crédito: Eric Lee / Getty Images via AFP

Um grupo bipartidário de congressistas dos Estados Unidos (EUA) anunciou, nesta terça-feira (2), a possibilidade de apresentar uma resolução que autorize a votação no Congresso americano para impedir uma ação militar do governo Trump na Venezuela.

A iniciativa surge em meio à crescente inquietação com o reforço militar estadunidense no Caribe, no contexto da Operação “Lança do Sul”, e após mais de 80 execuções extrajudiciais justificadas como parte do combate ao narcotráfico.

Democratas como Tim Kaine, Chuck Schumer e Adam Schiff, além do republicano Rand Paul, classificaram uma eventual intervenção como “um erro colossal e custoso que colocaria desnecessariamente em risco a vida de nossos militares”. 

Já o republicado Rand Paul disse que “o povo americano não quer ser arrastado para uma guerra sem fim com a Venezuela sem um debate público ou uma votação”.

Na Câmara dos Representantes, os democratas Jim McGovern e Joaquin Castro, juntamente com o republicano Thomas Massie, apresentaram uma resolução paralela para impedir que o Executivo inicie hostilidades sem autorização prévia do Legislativo, reafirmando o papel constitucional do Congresso em decisões que envolvem o uso das forças armadas.

Os parlamentares alertam que, caso a Casa Branca avance com ataques, pretendem invocar a “Resolução sobre Poderes de Guerra” para abrir um debate formal e votar a suspensão de uma operação militar na Venezuela. 

A ofensiva legislativa ocorre em um contexto de intensa movimentação militar, incluindo o deslocamento do porta-aviões USS Gerald Ford e a realização de pelo menos 22 ataques no Caribe e no Pacífico Oriental desde setembro, ações que reacenderam críticas internacionais à política externa de Washington.

A mobilização já ultrapassa divisões partidárias: comissões do Congresso, incluindo republicanos, anunciaram investigações sobre a escalada militar, revelando fissuras dentro do próprio governo Trump quanto ao rumo da estratégia para a região.

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, havia sugerido levar uma Resolução de Poderes de Guerra à votação para impedir o envio de tropas ao Caribe. A ameaça se deu nesta segunda-feira (1).

Em publicação nas redes sociais, ele afirmou: “Se o governo Trump prosseguir com seus planos de lançar ataques militares contra a Venezuela, apresentaremos uma Resolução de Poderes de Guerra para bloquear o envio de forças americanas. A segurança de nossas tropas e de nosso país está em jogo”.

Para ser aprovada, uma Resolução de Poderes de Guerra precisa de maioria simples na Câmara e no Senado. O presidente pode vetar a decisão, e sua derrubada exige maioria de dois terços em ambas as casas, algo difícil, dado que os republicanos mantêm margens apertadas de controle no Legislativo.

Com informações da Telesur.

Editado por: Nathallia Fonseca

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