Democracia

Trump pôs em risco a legitimidade do processo eleitoral em Honduras, apontam observadores

A missão expressou ainda uma enorme preocupação com os vazamentos que ocorreram dentro do CNE

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pessoas votam em Honduras
Eleição em Honduras é marcada pela pressão dos Estados Unidos e denúncias de manipulação | Crédito: Lucas AGUAYO / AFP

A Missão Internacional de Observação da Associação Americana de Juristas (AAJ) classificou a interferência dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, na eleição presidencial em Honduras, como uma grave “intervenção externa no processo eleitoral”. O texto destaca que as declarações “puseram em risco a legitimidade democrática do processo e constituem uma violação flagrante do direito à autodeterminação do povo hondurenho”.

Trump e Milei publicaram mensagens em suas redes sociais em que declararam abertamente seu apoio aos candidatos de direita Nasry Asfura e Salvador Nasralla. O estadunidense também condicionou seu apoio econômico à vitória da oligarquia hondurenha e chegou a afirmar que concederia indulto ao ex-presidente do país centro-americano, José Orlando Hernández, que foi condenado nos Estados Unidos a 45 anos de prisão por tráfico de drogas.

“A AAJ reitera sua rejeição à interferência estrangeira no processo eleitoral da República de Honduras e insta os Estados e atores internacionais a respeitarem plenamente a soberania hondurenha, reafirmando o direito inalienável do povo hondurenho de decidir seu próprio destino sem pressões externas”, destacou a entidade no relatório apresentado ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

A entidade também criticou a divulgação dos resultados das eleições gerais realizadas no último domingo através do Sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP). A AAJ considerou que estes “representam projeções parciais que podem distorcer a percepção do resultado final das eleições e devemos aguardar a publicação da contagem que representa cem por cento das atas”.

O relatório destaca incidentes relacionados à implementação do sistema biométrico, às dificuldades de conectividade com a internet para sua correta implementação e aos problemas que surgiram em relação à identificação por impressão digital e reconhecimento facial dos idosos que compareceram aos centros de votação.

A missão expressou ainda uma enorme preocupação com os vazamentos que ocorreram dentro do CNE, “que poderiam distorcer a legitimidade do processo eleitoral”.

A AAJ referiu-se ao vazamento de áudios atribuídos à conselheira eleitoral Cossette López ligada ao Partido Nacional, de direita, “que revelavam um esquema de suborno relacionado à manipulação do funcionamento do sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP), dificultando a distribuição de urnas eleitorais e influenciando setores do Exército para provocar uma ruptura institucional”.

A Associação defendeu também “a transparência absoluta da CNE em todas as etapas do processo e na contagem final realizada durante esse período”. “Isso visa preservar a paz social, a transparência institucional, os direitos políticos do povo hondurenho e a estabilidade democrática”, destaca a AAJ.

Rixi Moncada, candidata à presidência pelo partido governista Liberdade e Refundação (Libre), denunciou que um “golpe eleitoral” está em curso devido a irregularidades técnicas, manipulação da mídia e interferência externa sem precedentes na história recente da América Latina.

Os resultados divulgados pelo TREP, que o Libre não reconheceu, mostram um empate técnico entre os candidatos do chamado sistema bipartidário que representa a oligarquia hondurenha: Salvador Nasralla, do Partido Nacional, e Nasry Asfura, do Partido Liberal. Moncada ficou em terceiro lugar, com aproximadamente 19% dos votos.

De acordo com a Lei Eleitoral de Honduras, o CNE tem 30 dias após o dia da eleição para emitir um parecer com a declaração oficial do vencedor das eleições presidenciais, prazo que se encerra em 30 de dezembro.

Com informações da teleSur.

Editado por: Rodrigo Gomes

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