Com um boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em mãos, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu apoio aos brasileiros em meio à escalada da tensão com os Estados Unidos na costa do Caribe.
“A luta continua. A vitória nos pertence. Viva a unidade do povo do Brasil, viva a unidade com o povo venezuelano”, disse Maduro após receber o boné do MST de um dos convidados do programa Con Maduro de Repente na quinta-feira (4).
“Povo do Brasil, às ruas para apoiar a Venezuela em sua luta pela paz e pela soberania. Eu falo para vocês toda a verdade: temos direito à paz com soberania. Que viva o Brasil. Que viva o MST”, afirmou.
No mesmo dia, Maduro afirmou que, se a luta armada for necessária, “será para lutar pela paz, pela soberania, pela nossa pátria”. Na ocasião, ele destacou o apoio diplomático da China à Venezuela ao afirmar que Pequim “apoia publicamente o direito da Venezuela de exercer sua soberania e à paz”.
Ofensiva estadunidense
Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, que utiliza o combate ao narcotráfico como justificativa para os ataques, afirmou que as ofensivas terrestres devem começar “muito em breve”. “Detivemos quase 85% [das drogas] por mar e também começaremos a detê-los por terra. Por terra é mais fácil, mas isso começará muito em breve”, disse o republicano durante uma conferência online para os militares estadunidenses por ocasião do Dia de Ação de Graças.
Trump agradeceu aos agentes de segurança que têm atuado na costa do Caribe, para onde já foram enviados oito navios de guerra, caças F-35 e o porta-aviões Gerald Ford, o maior do mundo. Até o momento, as tropas dos EUA já mataram pelo menos 83 pessoas que supostamente trabalhavam para o narcotráfico. No entanto, a Casa Branca ainda não deu nenhuma garantia da relação entre os mortos e cartéis de drogas.
No início da semana, Washington incluiu o suposto Cartel de los Soles na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos e classificou o presidente venezuelano como o chefe da organização, que enviaria drogas aos Estados Unidos. A Venezuela, por sua vez, diz que o Cartel é uma “invenção dos EUA” e acusa Donald Trump de forçar uma mudança de regime na região.
