Atos unificados

‘Não existe pacto social sem adesão dos homens’, diz militante sobre atos contra feminicídio neste domingo (7)

Mobilização nacional reage à sequência de crimes bárbaros e cobra políticas públicas capazes de proteger mulheres

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Atos unificados no país vão cobrar fim do feminicídio e misoginia | Crédito: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

A jornalista e militante do Movimento Negro Unificado (MNU) Leonor Costa ressaltou que enfrentar a violência contra as mulheres exige o engajamento de toda a sociedade, especialmente dos homens. Ela fez a convocação em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ao comentar os atos nacionais marcados para este domingo (7), organizados em dezenas de cidades após uma sequência de feminicídios, tentativas de feminicídio e agressões que tomaram as manchetes na última semana.

“Homens precisam estar na centralidade dessa sensibilização da sociedade porque são esses homens que são frutos dessa sociedade doentia, capitalista e patriarcal que vivemos, que praticam todo tipo de violência contra os nossos corpos. Não existe pacto social sem adesão. E esse pacto social, especificamente, precisa da adesão dos homens do Brasil”, declarou.

Para Costa, a misoginia não é um fenômeno isolado, mas parte da estrutura que organiza a vida social no Brasil. “Infelizmente, o patriarcado estrutura a forma como a sociedade se organiza, assim como o racismo e a questão de classe”, explicou. Ela reforçou ainda que “classe, raça e gênero estão centrais nesse modelo de sociedade”, o que se expressa na desigualdade no trabalho, nos espaços de poder e na violência cotidiana.

A militante lembrou também que o feminicídio é apenas o desfecho extremo de uma cadeia de agressões naturalizadas. “A violência contra as mulheres é justificada. Começa com agressão verbal, depois vai para agressão física, até chegar, infelizmente, ao feminicídio”, elencou. Ela destacou que “as mulheres negras são as mulheres que são as maiores vítimas do feminicídio”, embora todas estejam expostas a diferentes formas de violência.

A convocação dos atos ganhou força após crimes que “realmente chocaram o Brasil inteiro”, disse Costa, citando o assassinato de duas mulheres dentro de uma escola técnica no Rio de Janeiro por um colega que não queria ser chefiado por uma mulher. Ela também mencionou o caso da jovem que teve as duas pernas amputadas porque o ex-namorado achou que ela não poderia dizer não pra ele. Diante disso, para a militante, “é fundamental essa mobilização que vai acontecer no Brasil inteiro”, organizada por movimentos feministas, sindicais, negros e de juventude.

A jornalista avaliou que o país vive hoje um momento mais favorável ao diálogo com o Estado, pois “temos ministras que efetivamente podem dialogar e pensar em saídas”, mas insistiu que a pressão popular continua indispensável. “Acredito que esses atos sejam capazes de sensibilizar a sociedade e também sensibilizar o Estado para pensar em saídas efetivas para enfrentar o problema”, disse.

“Queremos mulheres vivas, vivas, livres, podendo fazer o que quiser, trabalhar, estudar, maternar, mas livres e com sua vida garantida”, concluiu, ao convidar a sociedade para os atos nas capitais.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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