A isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil começa a valer a partir de 2026. Cerca de 15 milhões de brasileiros serão beneficiados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a medida após aprovação no Congresso e no Senado, o que deve injetar R$ 28 bilhões na economia, de acordo com cálculos da Receita Federal.
Em pronunciamento, o presidente equiparou a isenção a um 14º salário e afirmou que a nova lei ataca a principal causa da desigualdade no Brasil, a chamada injustiça tributária.
“E o mais importante: a compensação não virá de cortes na educação ou na saúde, mas da taxação dos super-ricos, que ganham mais de R$ 1 milhão por ano e hoje não pagam nada ou quase nada de imposto”, afirmou Lula.
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Segundo a economista Juliane Furno, a mudança representa aumento direto na renda de trabalhadores formais e autônomos. A economia poderá ser de até R$ 4 mil em um ano.
“É mais ou menos R$ 300 por mês a mais no bolso de que ganha R$ 5 mil. Isso vai se reverter em consumo, aquecer o mercado interno, gerar mais emprego e vários efeitos positivos na economia e na vida do povo”, explica Furno, ao Brasil de Fato.
Comida na mesa
A ampliação da faixa de isenção do IR era uma promessa de Lula, assim como reduzir o preço da comida. Após encerrar 2024 com alta de 7,69%, a inflação dos alimentos era uma prioridade do governo para este ano.
Para a surpresa de economistas, o IPCA, que mede o preço para o consumidor, deve fechar o ano dentro da meta de até 4,5%. Nos últimos quatro meses, alimentos e bebidas apresentaram deflação, situação em que os preços ficam mais baratos.
Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o Plano Safra e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) ajudaram a reduzir o índice sobre os alimentos.
Impacto do dólar
De modo geral, pontua Furno, o preço dos alimentos tem relação com o câmbio porque os alimentos são commodities em bolsa de valores. O preço da moeda norte-americana caiu para R$ 5,35, o menor em 15 meses.
Um exemplo cotidiano desse impacto pode ser observado na mesa do café da manhã. A valorização do real frente ao dólar tende a baratear o pão porque o trigo é importado. Condições climáticas e sazonais também afetam a inflação de alimentos.
Emprego e renda
Outro indicador positivo neste fim de ano é do desemprego, que registrou a menor taxa (5,4%) no trimestre encerrado em outubro. Já o rendimento do trabalhador atingiu o maior valor da série histórica (R$ 3.528) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Quando você consegue conciliar queda de inflação com queda de desemprego, você tá com menor índice de desconforto de uma sociedade. Estamos conseguindo conciliar isso”, disse Haddad. O período também teve recorde no número de pessoas com carteira assinada.
A economista Juliane Furno avalia as notícias do cenário econômico. “O desemprego está no nível mais baixo da história, a inflação está baixa, especialmente os produtos da cesta de consumo dos mais pobres. A economia está crescendo, embora em desaceleração, e há um aumento da renda do trabalho e do consumo das famílias”.
No entanto, ela aponta que a taxa de juros elevada pode anular os efeitos positivos, levando ao enfraquecimento do consumo e do crédito. “A taxa de juros já está contribuindo para a desaceleração econômica. Isso pode gerar desemprego, contração da renda e, consequentemente, contração da economia”, ressalta.
Pobreza em queda
O Brasil registrou, em 2024, os menores níveis de pobreza e extrema pobreza da história. Segundo o IBGE, 8,6 milhões de pessoas saíram da pobreza e 1,9 milhão deixaram a condição de miséria.
O resultado, segundo a instituição, tem relação com a ampliação de políticas sociais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), e o fortalecimento do mercado de trabalho.
Essa foi a terceira queda consecutiva do indicador, desde 2022, após atingir o percentual mais alto (36,8%) em 2021, durante a pandemia. Na época, sob o governo do ex-presidente preso Jair Bolsonaro, o país teve 19 milhões de pessoas na extrema pobreza.
No governo Lula, a proporção de brasileiros nessa condição reduziu para a menor já registrada (3,5%), passando de 9,3 milhões para 7,4 milhões.
Ainda assim, a levantamento mostra que a pobreza é maior entre pessoas pretas ou pardas, e trabalhadores informais. Entre os ocupados sem carteira assinada, um em cada cinco (20,4%) estão nessa condição; com carteira assinada, a proporção cai para 6,7%.
