O engenheiro agrônomo brasileiro Luciano Andrade Moreira, que estuda o bloqueio da transmissão de vírus como os da dengue, zika e chikungunya, foi escolhido como uma das 10 pessoas mais influentes na ciência em 2025 pela revista científica britânica Nature.
O cientista estuda há cerca de 10 anos o uso da bactéria chamada Wolbachia, capaz de impedir o mosquito Aedes aegypti de transmitir doenças. De acordo com as pesquisas, os mosquitos portadores da bactéria têm menos chances de contrair os vírus.
O “Método Wolbachia” é considerado um dos mais promissores no controle dessas epidemias e vem sendo implementado em diversos países com resultados positivos. Segundo a revista Nature, “os cientistas ainda não compreendem o mecanismo, mas a bactéria pode estar competindo com o vírus por recursos ou estimulando a produção de proteínas antivirais.”
Atualmente, o método compõe a estratégia do Ministério da Saúde de combate arboviroses, em parceria com a biofábrica de mosquitos wolbitos dirigida por Luciano Andrade Moreira e criada entre a Fiocruz, o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP).
Na última década foram iniciadas inserções do mosquito na cidade do Rio de Janeiro, em Niterói (RJ), Campo Grande (MS), Petrolina (PE) e Belo Horizonte (MG). Na região norte da capital fluminense, comunidades periféricas chegaram a registrar uma queda de 38% na quantidade de casos de dengue.
A Wolbachia é uma bactéria observada em 60% dos insetos identificados no planeta, mas não é natural no Aedes aegypti. A descoberta de que a espécie passa a infectar menos quando recebe o microrganismo foi feita há 15 anos por cientistas da Monash University em Melbourne, na Austrália, e pelo coordenador do Programa no Brasil, Luciano Moreira, que também é pesquisador da Fiocruz.
“No Brasil, temos trabalhado desde 2012 em áreas bem pequenas, coletando informações e evidências para que pudéssemos crescer sempre baseados na ciência. Conseguimos, nessa primeira fase, até hoje, três milhões de habitantes protegidos no país. O que estamos anunciando hoje é uma guinada de produção industrial para, depois de dez anos, termos capacidade de proteger 70 milhões de habitantes”, afirma Luciano Moreira.
