trama golpista

Julgamento do núcleo 2 da tentativa de golpe de Estado será retomado na próxima terça (16), com voto de Moraes

Sessão desta terça (9) teve sustentação oral da PGR, que pediu condenação de seis réus por gerência de ações golpistas

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STF julgamento golpe 8 de janeiro
Sessão da Primeira Turma do STF julga seis réus do núcleo 2 da trama golpista | Crédito: Rosinei Coutinho/STF

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, nesta terça-feira (9), o julgamento de seis réus do chamado núcleo 2 da trama golpista. São ex-integrantes do governo Bolsonaro acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de coordenar ações estratégicas para manter o ex-presidente no poder, mesmo após a derrota nas eleições de 2022.

A sessão foi marcada pela sustentação oral do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que defendeu a condenação dos acusados. Gonet afirmou que os réus “aderiram aos propósitos ilícitos” e foram responsáveis por “gerenciar as principais iniciativas da organização criminosa”. A votação dos ministros terá início na próxima terça-feira (16), com o voto do relator, Alexandre de Moraes.

Entre os crimes imputados estão tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Os réus são: Fernando de Sousa Oliveira, Filipe Martins, Marcelo Câmara, Marília de Alencar, Mário Fernandes e Silvinei Vasques.

Gonet também fez referência ao chamado plano Punhal Verde e Amarelo, que previa o assassinato de autoridades públicas, entre elas o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o próprio Moraes. Segundo o procurador, o documento foi elaborado por Mário Fernandes, general da reserva, que confessou a autoria durante interrogatório.

A PGR sustentou que os réus atuaram em frentes distintas para viabilizar a tentativa de golpe. A primeira foi a tentativa de interferência no segundo turno das eleições de 2022, por meio de operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em regiões onde Lula havia tido votação expressiva. A segunda, ligada aos ataques de 8 de janeiro de 2023, envolve a omissão deliberada de autoridades na contenção da violência.

Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF, é apontado como responsável por intensificar fiscalizações ilegais no dia da votação, mesmo após ordem judicial contrária. Segundo a PGR, ele agiu “para impedir o resultado legítimo das urnas”. Já Fernando de Sousa Oliveira e Marília de Alencar teriam usado ferramentas de inteligência para mapear áreas de apoio a Lula e direcionar operações policiais.

Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, é acusado de apresentar a chamada “minuta do golpe” ao então presidente, em reuniões com militares. O texto previa a prisão de autoridades e a intervenção militar na Justiça Eleitoral.

Defesas negam vínculo com organização golpista

Durante a sessão, advogados de defesa pediram a inclusão do ministro Luiz Fux no julgamento, o que foi negado por Moraes. O ministro classificou o pedido como “absurdo” e “protelatório”, reforçando que Fux não integra mais a Primeira Turma da Corte.

Após a fala da PGR, advogados de defesa ocuparam a tribuna da Primeira Turma. Em comum, todos rejeitaram as acusações de participação na tentativa de golpe e pediram a absolvição dos réus.

Resumo das acusações e defesas dos réus do núcleo 2 da trama golpista

Filipe Martins
Acusação: Segundo a PGR, o ex-assessor de Assuntos Internacionais apresentou a Jair Bolsonaro a chamada “minuta do golpe”, participando de reuniões reservadas para ajustar o texto com o objetivo de obter apoio das Forças Armadas.
Defesa: Sustenta que não teve acesso completo às provas e que não há elementos que comprovem sua participação nos crimes. Questiona a validade da delação de Mauro Cid e pede a nulidade do processo.

Marcelo Câmara
Acusação: A PGR o acusa de monitorar ilegalmente o ministro Alexandre de Moraes, repassando informações a Mauro Cid, e de ter participado da redação da minuta do golpe. Também teria envolvimento na Operação Copa 2022, que previa a neutralização do magistrado.
Defesa: Alega que não sabia da existência da minuta e não participou de operações ilegais. Disse que apenas checava informações abertas e que sua atuação visava desfazer equívocos. A defesa o classificou como “bombeiro das bobagens” de Mauro Cid, a quem era subordinado no Planalto.

Silvinei Vasques
Acusação: A PGR aponta que, como diretor da PRF, Vasques usou a estrutura da corporação para dificultar o transporte de eleitores no segundo turno de 2022, concentrando fiscalizações no Nordeste, mesmo após ordem contrária do TSE.
Defesa: Nega envolvimento com qualquer plano golpista. Alega que as ações da PRF foram técnicas e que não houve intenção de interferir no processo eleitoral. Rejeita que tenha descumprido a decisão da Justiça Eleitoral.

Mário Fernandes
Acusação: De acordo com a PGR, o general da reserva foi o autor do plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato de Lula, Alckmin e Moraes. O documento foi localizado em seu computador e teria sido impresso no Palácio do Planalto.
Defesa: Admitiu a autoria do texto, mas declarou que se tratava de um “estudo pessoal”, que nunca foi compartilhado. Disse estar arrependido por ter digitalizado o conteúdo, que teria caráter meramente teórico.

Marília de Alencar
Acusação: É acusada de produzir e utilizar relatórios de inteligência para mapear regiões eleitorais onde Lula venceu, orientando operações da PRF. Também teria se omitido na segurança do DF antes dos ataques de 8 de janeiro.
Defesa: Afirma que exercia função de assessoramento, sem poder operacional ou vínculo com a PRF. Disse que não tinha qualquer relação com Silvinei Vasques e que atuou dentro das suas atribuições técnicas. A defesa destacou que Marília era “terceiro escalão” e sem capacidade de decisão.

Fernando de Sousa Oliveira
Acusação: A PGR aponta que o delegado da PF articulou o uso de ferramentas de inteligência para interferir nas eleições, em parceria com Marília de Alencar, e se omitiu diante dos alertas sobre o 8 de janeiro, quando atuava na Secretaria de Segurança Pública do DF.
Defesa: Nega qualquer vínculo com organização criminosa. Sustenta que enfrentou os atos golpistas no 8 de janeiro e que não há indícios de articulação com outros réus, especialmente com Vasques. A defesa disse ainda que não foram localizadas mensagens ou contatos que o vinculem às ações descritas pela acusação.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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