A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), voltou a se posicionar contra a privatização da Copasa, proposta que avança na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (8), ela pediu “cautela” aos deputados estaduais e afirmou que a venda da companhia ameaça compromissos já firmados com os municípios, além de colocar em risco políticas essenciais de saneamento.
“Em muitos lugares, o saneamento está voltando para o setor público porque a iniciativa privada não conseguiu cumprir suas metas”, afirmou.
Marília destacou que a Copasa é uma empresa pública lucrativa e eficiente. Segundo a prefeita, apenas em 2024 a estatal registrou R$ 1,32 bilhão de lucro e investiu mais de R$ 2 bilhões em saneamento no estado, números que, para ela, evidenciam que não há justificativa técnica para a privatização. Além disso, a gestora ressaltou que a companhia mantém tarifas sociais voltadas a famílias de baixa renda, política que pode ser desmontada caso o controle passe à iniciativa privada.
Para a prefeita, não se trata apenas de mudar o modelo de gestão, mas de definir o futuro do saneamento em Minas Gerais. Ela mencionou experiências de privatização no Brasil e no exterior que resultaram em tarifas mais altas, queda da qualidade do serviço e dificuldade de universalização.
Riscos diretos para Contagem
Marília alertou que os impactos da privatização seriam imediatos para Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O município mantém acordos em andamento com a Copasa, como a continuidade das obras de despoluição da Lagoa da Pampulha, realizadas em parceria com Belo Horizonte, e negociações sobre contrapartidas relacionadas à construção de uma nova adutora na região metropolitana. A prefeita lembrou ainda que 4% da receita da companhia é destinada ao Fundo Municipal de Saneamento, recurso considerado fundamental para obras na cidade.
“Defender a Copasa pública é defender uma política de saneamento que priorize as pessoas e não o lucro”, afirmou. Reforçou, ainda, que Contagem continuará ao lado de quem luta pela empresa pública e pela água como um direito.
Pressão cresce na reta final na ALMG
A discussão ocorre em um momento de mobilização dos municípios. Na semana passada, a Associação Mineira de Municípios (AMM) acionou o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para avaliar os impactos da possível privatização e anunciou que prepara emendas ao projeto de lei que tramita na ALMG.
:: Ouça: Ainda tem como impedir a privatização da Copasa? ::
Com a votação decisiva se aproximando, prefeitos, vereadores, e especialistas têm intensificado os alertas sobre riscos para investimentos, contratos em curso e a própria estrutura de financiamento das políticas de saneamento no estado.
