No Dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado nesta quarta-feira (10), o economista Thomaz Ferreira Jensen, membro da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, avaliou que os episódios da madrugada no Congresso Nacional, como a aprovação de uma “anistia light para golpistas” e o avanço do marco temporal, configuram “afrontas gravíssimas aos direitos humanos no Brasil”. “Isso vai afetar muito, se não for barrado por nós, as condições ambientais do Brasil, e impacta o mundo inteiro”, afirmou, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Para ele, a tensão global entre o aprofundamento conservador e a garantia de direitos tem exigido mais mobilização e enfrentamento. “Diante de um Congresso hostil e de um Judiciário cooptado pelos interesses do capital, se nós hoje estamos no governo federal, nós temos que radicalizar a ação em defesa dos direitos humanos”, defendeu.
Jensen indicou que a maior violação no Brasil segue sendo a concentração fundiária e a ausência histórica de reforma agrária. “Quase todos os conflitos que registramos passam pela não realização de reforma agrária. Quem é o centrão no Brasil é a bancada ruralista. Aí está o centro do nosso problema”, criticou. “O Executivo federal tem instrumentos para mostrar que esse poder vai acabar. Se não fizermos nada, eles acumulam ainda mais força”, completou.
A nova edição do livro Direitos Humanos no Brasil 2025, lançada nesta data, completa 26 anos da publicação anual pela Rede. Para Jensen, o objetivo é registrar as principais violações que seguem ocorrendo no país, apesar da consolidação internacional da pauta desde a Declaração Universal de 1948. “Era uma tentativa de refundar a civilização tendo por centro os direitos humanos. É uma utopia que ainda buscamos construir”, destacou.
Segundo o economista, o relatório reúne especialistas para analisar os direitos trabalhistas, a crise ambiental, os povos indígenas e quilombolas, a educação, a população LGBT+ e temas atuais do debate público. “A ideia é oferecer esse panorama, mas é também dar voz a esses oprimidos e oprimidas de forma sistematizada, técnica, com registros competentes de quem está no dia a dia junto com essas populações”, explicou.
O lançamento deste ano ocorre por meio de um programa especial em parceria com a TVT, que vai ao ar às 18h desta quarta. A edição homenageia o coletivo dos povos e comunidades tradicionais do Cerrado (PI), a Comissão Pastoral da Terra, a escritora Conceição Evaristo e o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP).
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
