O cenário de violência registrado no Congresso Nacional, em Brasília, teve reflexos nesta quarta-feira (10). Corredores policiados, faixas, bandeiras e manifestantes se reuniram no anexo 2 da Câmara dos Deputados para se posicionar contra a cassação do mandato do deputado Glauber Braga (Psol-RJ). Com gritos de “Glauber fica”, os apoiadores do congressista demonstraram indignação pela agressão sofrida pelo psolista e pedem justiça.
Um dos que participaram do ato foi o servidor público Moacir Lopes. Ele estava no Congresso na terça-feira (9) quando os policiais agrediram e retiraram o deputado à força do plenário, mas ficou do lado de fora porque a entrada do salão verde foi fechada. Lopes afirmou ter ficado indignado com a violência promovida contra trabalhadores e trabalhadoras que estavam no local.
“Estamos numa luta em defesa da democracia, em defesa do que conquistamos no país. E o Glauber representa a defesa desses valores, denuncia o que está errado, enfrentou o centrão e a extrema direita. Então foi uma vingança contra ele. Por isso, agora temos que ir pra rua, para defender o seu mandato”, ressaltou.
O ato também contou com sindicalistas de diferentes organizações. Barbara Montezuma é diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Ceará (Sintsef) e foi ao Congresso para acompanhar a discussão sobre o acordo das empresas terceirizadas de seu estado. Ela projeta que Glauber sairá fortalecido, mesmo depois desse episódio, e afirma que há uma perseguição política contra congressistas de esquerda.
“Foi uma sequência de absurdos. O Glauber vai sair de cabeça erguida, mais forte. Vai continuar sendo voz ativa, fica mais conhecido no país, nacionaliza uma questão que é bem importante para nós. Se ele for cassado, vai ser algo relevante para o Brasil. E temos outros exemplos de cassações de deputados de esquerda, como Renato Freitas [PT], no Paraná”, afirmou.
O evento também atraiu pessoas que não foram à Câmara para protestar. O advogado Adriano Rocha participava de uma audiência para debater questões trabalhistas de militares no país. Ainda assim, ele esteve no protesto porque entende que houve a violação de direitos “elementares” do deputado.
“O que houve com ele foi uma agressão que atenta contra o estado democrático de direito, um deputado ser sacado da casa do povo. Eu apoio a democracia, eu apoio a liberdade de expressão. Direitos elementares do deputado foram violados”, considerou.
Votação nesta quarta (10)
A cassação de Glauber Braga será votada nesta quarta-feira (10) no plenário da Câmara. Ele já teve sua cassação aprovada no Conselho de Ética da Casa por quebra de decoro parlamentar. O congressista é alvo de uma representação por ter supostamente empurrado e chutado um integrante do MBL (Movimento Brasil Livre) durante um protesto no Congresso.
O deputado ocupou a mesa diretora da Câmara nesta terça justamente em resposta a esse processo. Glauber comparou a situação com a dos deputados bolsonaristas que receberam tratamento não violento quando ocuparam a mesa em agosto por 48 horas para protestar contra a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Se for cassado, os sindicatos entendem que deve haver uma resposta popular nas ruas. Claudio Mendonça é presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e entende que a saída é a organização da sociedade civil.
“À medida que esse Congresso aprofunda os ataques aos trabalhadores, tenta cassar o mandato de um deputado que justamente pauta, defende lutas importantes e uma política pública que supere as desigualdades. Defender o mandato de Glauber é defender a perspectiva de um país mais justo. A sociedade organizada já se manifestou derrubando a PEC da Bandidagem. A saída contra esse Congresso inimigo do povo é a ocupação das ruas”, disse.
Entidades e movimentos sociais já organizam ato para o próximo domingo (14) em todo o país.
