A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (12), em Brasília (DF), a Operação Transparência, com o objetivo de investigar desvios de recursos públicos por meio de emendas parlamentares. A ação cumpriu dois mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, são investigados os crimes de peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção. Os alvos da operação são espaços ligados a Mariângela Fialek, servidora da Câmara dos Deputados e ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL), que presidiu a Casa entre 2021 e 2025. O deputado não é alvo da investigação.
De acordo com apuração do g1 e da Folha de S.Paulo, os policiais federais fizeram buscas na residência de Mariângela e em uma sala utilizada por ela dentro da Câmara. O celular da servidora também foi apreendido. Conhecida como Tuca, Mariângela ocupa cargo comissionado de natureza especial na liderança do PP, com remuneração bruta de R$ 23,7 mil.
Conforme os registros da Câmara, um dos espaços onde a servidora despachava era vinculado formalmente à Presidência da Casa e começou a ser utilizado por ela em 2022, já durante a gestão de Lira. A assessoria do parlamentar afirmou que Mariângela não faz parte de sua equipe atual.
Sala usada para emendas e histórico de suspeitas
Mariângela Fialek é apontada como figura-chave na operacionalização das emendas que ficaram conhecidas como “orçamento secreto”, mecanismo criticado pela falta de transparência na destinação de recursos públicos.
A operação desta sexta (12) é parte de um inquérito mais amplo que investiga possíveis irregularidades nas chamadas emendas de comissão. A apuração foi iniciada após o ministro Flávio Dino acolher representação do Psol com base em novas informações sobre a liberação de R$ 4,2 bilhões pela Câmara, no fim de 2024. Na ocasião, Dino determinou a suspensão desses repasses.
O inquérito contou com o depoimento de seis parlamentares: os deputados Glauber Braga (Psol-RJ), José Rocha (União Brasil-BA), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União Brasil-SP), Dr. Francisco (PT-PI) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).
A representação apresentada pelo Psol mencionava uma manobra que permitiu a redistribuição de emendas sem registro formal pelas comissões da Câmara. Segundo o partido, um ofício assinado por 17 líderes partidários foi enviado à Casa Civil com uma lista de 5.449 emendas, alterando a destinação de recursos públicos sob o pretexto de “ratificação”.
O Brasil de Fato não localizou a defesa de Mariângela Fialek. O espaço está aberto para manifestação.