O Brasil bateu um novo recorde na liberação de agrotóxicos para uso agrícola. Uma apuração exclusiva feita pelo Brasil de Fato mostrou que foram 725 novos produtos liberados de fevereiro a dezembro de 2025. Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o coordenador adjunto do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, Leonardo Melgarejo, afirma que o país não apresenta nenhum problema novo na agricultura para a liberar de novos produtos.
“Esse número diz muito. Ter 725 venenos que são apresentados como novos sugere que nós teríamos uma condição melhor de tratar os problemas antigos, mas eles estão apenas se somando aos dos anos anteriores. O que significa que não eliminamos e que esses novos são variações do mesmo tema”, declara.
Melgarejo reitera que, segundo um estudo recente de Jefferson Teixeira, o Brasil utiliza cerca de 10 litros de venenos por hectare, enquanto os Estados Unidos usam apenas 3 litros e a China, menos de 2 litros. “O uso descomunal no país decorre de estarmos alterando as legislações protetivas, o que permite uma expansão nas áreas cultivadas, como também avançando com o uso de veneno em áreas novas e com novas tecnologias”, acrescenta.
O coordenador adjunto explica que a criação de tecnologias gera novos problemas e abre o mercado para novas gerações, introduzindo os agricultores brasileiros a fazerem aplicações de coquetéis de venenos sobre os quais o país não tem informações a respeito dos riscos reais para a saúde humana e o meio ambiente.
A chamada “zona de sacrifício” refere-se às regiões onde são identificados sintomas relativos à contaminação como mulheres com mais abortos espontâneos, crianças com problemas de desenvolvimento e pessoas com tendência maior a ter câncer. “Nesses lugares, a população está sendo mantida no escuro sobre os problemas que estão sendo expandidos com os agrotóxicos”.
O Ministério da Agricultura é a área de reserva e controle desses interesses. Tradicionalmente, o Ministério da Agricultura atua de forma associada aos interesses das empresas transnacionais do setor. Segundo Melgarejo, os governos, independentemente de sua orientação política, vêm sendo conduzidos pelos interesses de determinados ministérios.
“Paulo Teixeira, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, afirma que, com o Pronara, haverá um avanço na substituição desses agrotóxicos que são proibidos em outros países e que também sejam proibidos aqui. É esperado, então, que haja ainda um impulso na produção de insumos de natureza biológica e uma atenção maior a essas chamadas zonas de sacrifício”, conclui.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
