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Quadro de funcionários da Enel perdeu 6.777 trabalhadores em São Paulo

Ex-funcionário da Eletrobras aponta que para buscar lucratividade empresa busca diminuir custos

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Eletricista recém-contratado pela Enel realiza atividade prática na zona sul de São Paulo
Eletricista recém-contratado pela Enel realiza atividade prática na zona sul de São Paulo | Crédito: Divulgação/Enel

O número de trabalhadores da Enel em São Paulo caiu 25,13% entre 2020 e 2025, passando de cerca de 26.962 para 20.185 empregados, segundo o levantamento feito a partir dos relatórios de administração da empresa. A redução foi puxada pelos terceirizados, cujo contingente diminuiu de 21.114 trabalhadores para 15.521. Entre os funcionários próprios a redução foi de 5.848 para 4.664. 

Os dados de 2025 se referem ao período até o terceiro trimestre. Os dados de 2020 são do primeiro fechado de atuação da empresa no Brasil.

No mesmo período, o patrimônio líquido da empresa italiana no Brasil cresceu 51%. No total, a concessionária atende 15,6 milhões de clientes nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. A empresa afirma que a diminuição do número de colaboradores se deve a reestruturação societária. 

Ikaro Chaves, engenheiro eletricista e ex-funcionário do sistema Eletrobras, afirma o interesse da empresa prestadora do serviço é maximizar o lucro, mas como a receita das distribuidoras é limitada, uma vez que é regulada pela Aneel, e o consumo de energia é relativamente estável, a única via para a empresa aumentar a lucratividade é a diminuição dos custos.

Dentro da lógica de “fazer mais ou menos para conseguir baixar a tarifa para o consumidor”, o único custo considerado “gerenciável” é o de mão de obra. “Eles vão repassar todo o custo com aquisição de equipamentos, vão repassar esse custo para o consumidor, agora, porque não tem como. Se o equipamento quebrou, tem que ser substituído. Se o equipamento chegou no final da vida útil, ele tem que ser substituído para manter o processo. Agora, qual é o custo que eles vão, então, gerenciar? O custo de mão de obra”, afirma.

Na prática, Chaves afirma que a busca por eficiência através do corte de custos, principalmente quando no pessoal de manutenção, aumenta a vulnerabilidade do sistema em face de adversidades climáticas. A falta de manutenção preventiva, por exemplo, deixa a infraestrutura mais frágil, e a insuficiência de equipes para manutenção corretiva prejudica a rapidez na realização de ações emergenciais, atrasando a recuperação do serviço.

Na região metropolitana de São Paulo, cerca de 2,2 milhões de imóveis chegaram a ficar sem energia elétrica entre 9 e 11 de dezembro, no pico do apagão, devido a um ciclone extratropical. Até esta terça-feira (16), pelo menos 30 mil clientes ainda estavam sem luz. 

Chaves ressalta que, “em condições normais, o sistema elétrico funciona praticamente sem precisar de pessoas”, porque já é “muito automatizado”. No entanto, “é nos momentos de instabilidade que a ausência de pessoal de manutenção se torna evidente, pois o sistema não passou pela manutenção preventiva e não há equipe para fazer a manutenção corretiva”, diz.

Posicionamento da Enel

O Brasil de Fato solicitou um posicionamento à Enel, enviado posteriormente à publicação. Confira nota na íntegra:

A Enel São Paulo informa que a atual gestão da companhia tem ampliado de forma consistente o quadro de colaboradores para reforço da operação em campo. Nos últimos dois anos até setembro de 2025, a distribuidora ampliou em mais de 30% o número de colaboradores próprios e terceiros. Considerando apenas o número de colaboradores próprios, o aumento foi superior a 20%. Desde 2024, a distribuidora contratou aproximadamente 1.600 profissionais próprios, ampliando a capacidade de atuação em manutenção, atendimento emergencial

Editado por: Maria Teresa Cruz

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