Greve

Petroleiros intensificam greve nacional e ampliam adesão em unidades estratégicas da Petrobras

Paralisação, iniciada na segunda-feira, atinge refinarias, terminais e plataformas em 11 estados

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Greve dos petroleiros atinge principais bases do país.
Greve dos petroleiros atinge principais bases do país. | Crédito: Guilherme Weimann/Sindipetro Unificado

A greve nacional dos petroleiros, iniciada na segunda-feira (15), ganhou força nesta terça-feira (16), com adesão significativa em unidades estratégicas da Petrobras e suas subsidiárias em 11 estados do país, segundo balanço da Federação Única dos Petroleiros (FUP). A mobilização é uma resposta aos entraves na negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025-2026, visto que a terceira proposta apresentada pela Petrobras não contemplou as demandas centrais da categoria.

O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, destacou ao Brasil de Fato nesta terça que ainda não houve diálogo com a Petrobras e com o Ministério de Minas e Energia (MME).

“Ainda não houve sinalização de uma reunião formal com a gestão da empresa para avançarmos nas negociações que foram interrompidas por conta da empresa ter sinalizado que era a última contraproposta a ser apresentada. A expectativa é que haja algum movimento da gestão da empresa ou do governo ainda nessa semana para que tenhamos uma solução desse conflito”, disse.

Em São Paulo, a paralisação se manifesta com o corte de rendição nas refinarias de Paulínia (Replan/Campinas), de Capuava (Recap/Mauá) e Henrique Lages (Revap/São José dos Campos). As unidades da Transpetro em Paulínia e São José dos Campos registraram adesão, com o regime de poliduto operando em contingência na primeira, e a Estação de Compressão de Paulínia (TBG) completamente parada, sem entrada do grupo de contingência.

No Rio de Janeiro, não houve rendição de turno na Refinaria Duque de Caxias (Reduc/RJ). Nas plataformas na Bacia de Campos, trabalhadores de 15 unidades, incluindo a P-54, P-56 e P-62, entre outras, aderiram e solicitaram desembarque. A Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas (UTGCAB/Macaé) também teve adesão. 

Em Minas Gerais, a Refinaria Gabriel Passos (Regap), a Termelétrica de Ibirité (UTE-Ibirité) e a Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro (PBio/Montes Claros) operam sem rendição. No Espírito Santo, as plataformas P-58 e P-57 tiveram desembarque dos trabalhadores, e o setor de saúde registrou adesão de médicos e dentistas.

Também há paralisações na região Sul. No Paraná, houve corte de rendição na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar/Araucária) e no Terminal da Transpetro de Paranaguá (Tepar), que foi assumido pela contingência. A Nesix, núcleo de pesquisa da Petrobras, e a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-PR) registraram atrasos nas trocas de turno. 

Em Santa Catarina, segundo a FUP, a adesão foi total nos terminais de São Francisco do Sul, Biguaçu, Itajaí e Guaramirim. No Rio Grande do Sul, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap/Canoas) também teve corte de rendição no turno.

No Norte, a greve chegou ao Terminal Aquaviário de Coari, no Amazonas, que opera sob controle da equipe de contingência, com 100% de adesão na operação, manutenção e SMS. 

No Nordeste, no Ceará, a Fábrica de Lubrificantes do Nordeste (Lubnor) e o Termoceará registraram corte de rendição. Na Bahia, houve adesão nos campos de produção terrestre em diversas bases e na Usina de Biodiesel de Candeias (PBio). 

No Rio Grande do Norte, a Usina Termelétrica do Vale do Açu aderiu, e a sede administrativa da Petrobras em Natal (Edirn) alcançou 90% de adesão. Médicos também aderiram à greve.

Reivindicações da categoria

O sindicato questiona o discurso de “aperto dos cintos” da empresa, enquanto são divulgados lucros recordes, com 32,7 bilhões de reais destinados aos acionistas. Entre os pontos de divergência estão a proposta de alterar cláusulas sob análise judicial, a inclusão de uma cobrança adicional para cobrir custos administrativos do plano de saúde, que diminuiria o ganho real de 0,5% na Remuneração Mínima por Nível e Regime (RMNR), a redução de postos de trabalho e a antecipação da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), vista como “pegadinha” pelos trabalhadores.

Os petroleiros organizaram uma pauta de reivindicações que abrange pontos cruciais para a garantia de direitos e a melhoria das condições de trabalho e de vida da categoria.

Entre as exigências centrais, está a necessidade de um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) com validade de um ano (2025-2026), que inclua a garantia de ultratividade, assegurando que as cláusulas permaneçam vigentes até que um novo acordo seja assinado. Um ponto fundamental da pauta busca resolver a situação do setor offshore e o fim dos chamados “desimplantes”, que impactam os trabalhadores embarcados. Para esses profissionais, a categoria reivindica a implementação do regime de trabalho 14×21 tanto para empregados próprios quanto para terceirizados.

A valorização salarial e a organização da carreira também são prioridades. Os petroleiros demandam o reajuste na tabela da Hora Extra Troca de Turno (HETT) e a criação de uma tabela salarial unificada para todos os trabalhadores da holding e das subsidiárias da Petrobras.

No que tange aos benefícios sociais, a pauta inclui a valorização dos aposentados, por meio do fim dos Planos de Equacionamento de Déficits (PEDs) da Petros. Há também a exigência de retorno do Programa Jovem Universitário e a ampliação do benefício educacional. Para unidades que fornecem refeição in natura, os trabalhadores pedem a concessão de vale-alimentação, conforme previsto em legislação.

A categoria pressiona ainda pelo destravamento das negociações sobre o Plano de Cargos, Carreiras e Salários.

Por fim, os petroleiros reforçam o combate à terceirização e exigem o fim da contratação de empresas consideradas “caloteiras”. A pauta manifesta-se também contra os planos de desinvestimento da companhia, solicitando o cancelamento do processo de privatização da Petrobras Biocombustível (Pbio).

Manifestações marcam o primeiro dia de greve

No Rio de Janeiro, o primeiro dia do movimento grevista foi marcado por episódio de repressão. Na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), a Polícia Militar realizou a prisão violenta do secretário-geral do Sindipetro Caxias, Marcello Bernardo, e do cipeiro Fernando Ramos, durante um piquete pacífico. Ambos foram algemados, conduzidos à delegacia e liberados horas depois.

Os atos realizados no primeiro dia da greve nacional dos petroleiros contaram com ampla solidariedade de sindicatos e movimentos populares. Estiveram presentes dirigentes e militantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e do Movimento Sem Terra (MST), além de sindicatos de categorias históricas da classe trabalhadora, como o Sindicato dos Metalúrgicos, o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Campinas e Região.

Em nota, a Petrobras informou que “está em processo de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho desde o final de agosto deste ano. Na última terça-feira (09), a companhia apresentou sua última proposta, que contempla avanços aos principais pleitos sindicais.” A empresa alegou que segue empenhada em concluir a negociação do acordo na mesa de negociações com as entidades sindicais.

A reportagem solicitou um posicionamento do Ministério de Minas e Energia (MME) sobre as exigências dos trabalhadores e sobre uma eventual negociação e não obteve retorno até o momento.

Editado por: Geisa Marques

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