O Brasil de Fato RS encerra o ano de 2025 com mais um reconhecimento ao trabalho jornalístico desenvolvido no estado. O fotógrafo Jorge Leão, com coautoria da jornalista Fabiana Reinholz, conquistou o 1º lugar na categoria Fotojornalismo do 12º Prêmio Adpergs de Jornalismo, com a reportagem Crianças órfãs de feminicídio: traumas, perdas e a luta por direitos.
A premiação é promovida pela Associação das Defensoras e dos Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul (Adpergs) e teve, neste ano, como tema “Direito da Mulher – Ser, viver e existir”. A cerimônia de entrega ocorreu na noite desta terça-feira (16), na sede da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, no Centro Histórico de Porto Alegre.
Ao todo, o Prêmio Adpergs de Jornalismo distribuiu mais de R$ 25 mil em premiações. Além da categoria Fotojornalismo, foram reconhecidos trabalhos nas categorias Impresso, Áudio, Vídeo e Internet. Os vencedores de cada categoria receberam R$ 3 mil, enquanto os segundos colocados foram premiados com R$ 1,5 mil.
Na categoria Universitário, o prêmio foi de R$ 2 mil para o primeiro lugar e R$ 1 mil para o segundo. Os trabalhos inscritos deveriam abordar a atuação de defensoras e defensores públicos na promoção e garantia dos direitos das mulheres e ter sido publicados entre 1º de janeiro e 1º de dezembro de 2025. A premiação foi aberta a jornalistas e estudantes de todo o país e recebeu 92 trabalhos inscritos, provenientes de 20 estados e do Distrito Federal.
Durante a cerimônia, a presidenta da Adpergs, defensora pública Maína Pech, destacou a importância do jornalismo no combate à desinformação e na divulgação do trabalho da Defensoria Pública. “O Prêmio Jornalismo da Adpergs é importante porque leva informação sobre o trabalho prestado pela Defensoria Pública aos cidadãos, fortalecendo a cidadania, a democracia e a dignidade das pessoas atendidas”, afirmou.
Pech também ressaltou que o tema da violência contra a mulher tem recebido atenção crescente tanto na imprensa quanto na atuação institucional da Defensoria Pública. Segundo ela, além de noticiar crimes, as reportagens têm contribuído para dar visibilidade a iniciativas e políticas públicas voltadas à proteção e à garantia dos direitos das mulheres.
Para o fotojornalista Jorge Leão, o reconhecimento reforça a importância do fotojornalismo na abordagem de temas sensíveis. “Muito feliz com a premiação no 12º Prêmio Adpergs de Jornalismo. A matéria escrita pela minha colega Fabiana Reinholz aborda um tema recorrente e, infelizmente, permanente: os feminicídios. A cada segundo, vidas femininas são interrompidas. Mas quem fica? Os órfãos do feminicídio, que sofrem não apenas a perda física, mas profundos traumas psicológicos”, ressalta.
Segundo Leão, a imagem premiada busca justamente provocar essa reflexão. “A foto mostra isso: quem olhará por eles agora? Eles nos olham. É um olhar de socorro, de perda e de medo do que virá pela frente. É muito importante a Adpergs ter retomado a categoria de Fotojornalismo. Não existe texto sem foto no jornalismo, assim como não existe foto sem texto”, completa.

Trajetória de reconhecimentos em 2025
A premiação da Adpergs se soma a uma série de reconhecimentos conquistados recentemente pelo Brasil de Fato RS. No 67º Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo 2025, o veículo foi premiado nas categorias Fotojornalismo e Reportagem em Texto. Com a reportagem fotográfica “Cozinha Solidária exige passagem”, Jorge Leão conquistou menção honrosa em Fotojornalismo.
Já na categoria Profissional – Reportagem em Texto, a jornalista Fabiana Reinholz foi reconhecida por duas produções: Crianças órfãs de feminicídio: traumas, perdas e a luta por direitos, que recebeu o 1º lugar, e Violência contra crianças e adolescentes cresce no RS e atinge níveis alarmantes, que conquistou o 3º lugar.
No 27º Prêmio Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (MPRS) de Jornalismo 2025, Reinholz também conquistou o 1º lugar, na categoria Criminal, Acolhimento a Vítimas e Defesa da Moralidade Administrativa, com a reportagem sobre o julgamento do assassinato da indígena kaingang Daiane Griá Sales, reconhecido como o primeiro etnofeminicídio do país.

Em novembro, o Brasil de Fato RS foi destaque no Prêmio da Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (Asdep), conquistando o 1º lugar em Fotojornalismo, com imagem de Roberto Martinez, e o 2º lugar em Reportagem em Texto, com a matéria Violência contra crianças e adolescentes cresce no RS e atinge níveis alarmantes, escrita por Fabiana Reinholz.
No mesmo mês, o veículo também foi um dos vencedores do Prêmio Themis de Jornalismo 2025, promovido pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). O Brasil de Fato RS conquistou o 2º lugar na categoria especial “Contribuição do Judiciário para o Desenvolvimento Socioambiental”, com a reportagem Porto Alegre pós-enchente: entre o abandono do poder público e a resposta do Judiciário, assinada por Reinholz, além de receber o 1º e o 2º lugar na categoria Imagem, com fotografias de Roberto Martinez Duarte.
Em outubro, o veículo também foi premiado no Prêmio Amrigs de Jornalismo 2025, promovido pela Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs). Jorge Leão foi contemplado em duas categorias: Fotojornalismo, com a imagem “Rastreando esperança”, em segundo lugar, e Online, com a reportagem Casa dos Raros: pioneirismo na América Latina transforma realidade de pacientes com doenças raras, em terceiro lugar, com coautoria de Fabiana Reinholz.
Para a jornalista, os prêmios refletem um esforço coletivo. “Todos os reconhecimentos conquistados são resultado de um trabalho coletivo, da trajetória de toda a equipe do Brasil de Fato RS, especialmente por se tratar de uma pauta tão cara para mim: os direitos humanos e o combate à violência contra os mais vulneráveis”, afirma Reinholz. “É o reconhecimento de um jornalismo que busca iluminar desigualdades, denunciar violações e valorizar iniciativas populares. É um prêmio de toda a equipe do Brasil de Fato.”

No dia 28 de agosto o Brasil de Fato RS foi reconhecido com o Prêmio Rubens Paiva – Memória, Verdade e Justiça, na categoria Comunicação Social. A cerimônia ocorreu no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS), com a presença do neto de Rubens Paiva. A escolha da data marcou a assinatura da Lei da Anistia, promulgada em 1979 pelo último ditador do regime militar, João Batista Figueiredo – marco do processo de redemocratização do Brasil.
