Os trabalhadores dos Correios no Rio Grande do Sul aprovaram, na noite de terça-feira (16), em assembleia geral realizada na sede do sindicato da categoria, uma greve por tempo indeterminado, levando em conta o impasse nas negociações do novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025/2026. A decisão ocorreu por ampla maioria dos presentes, em meio à ausência de uma proposta considerada satisfatória pela direção da estatal desde que as negociações começaram meses atrás, logo após o fim da data-base em agosto.
A mobilização no Rio Grande do Sul integra um movimento mais amplo: sindicatos que representam os trabalhadores dos Correios aprovaram paralisações por tempo indeterminado em sete estados: além do RS, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Ceará, Paraíba e São Paulo.
Reivindicações da categoria
O principal ponto de conflito entre trabalhadores e a direção dos Correios é a pauta de reivindicações que a categoria considera essencial para a manutenção de condições dignas de trabalho e de suas conquistas históricas. Entre as demandas estão a reposição salarial que supere a inflação acumulada, garantias de benefícios como o adicional de férias de 70%, pagamento em dobro nos finais de semana e a concessão de um vale-refeição ou alimentação de cerca de R$ 2,5 mil (conhecido como “vale-peru”), distribuído em duas parcelas.
Os sindicatos também destacam a importância de proteger os planos de saúde dos trabalhadores e manter cláusulas que consideram vitais para a qualidade de vida e a segurança no trabalho. Para a categoria, a retirada ou fragilização destes benefícios representaria perda de direitos conquistados ao longo de décadas de negociação coletiva.
Os representantes dos trabalhadores afirmam que a direção da empresa não apresentou, até o fim das negociações, propostas compatíveis com o ritmo da inflação e com as necessidades manifestadas pelas bases sindicais, o que teria esgotado a paciência da categoria.
Do outro lado: postura da direção dos Correios
A empresa argumenta que enfrenta desafios estruturais e operacionais e que a sua capacidade de atender às demandas salariais e de benefícios está limitada pelo cenário econômico e pela necessidade de contenção de despesas.
Na primeira semana de dezembro, a estatal havia prorrogado as negociações do ACT por mais alguns dias, afirmando que os direitos seriam mantidos durante esse período, com exceção de algumas cláusulas especificas relativas a benefícios extras, cujo pagamento já teria sido feito no ano anterior.
Negociação no Tribunal e próximos passos
As negociações entre a direção dos Correios e as representações sindicais foram mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) nas últimas semanas, incluindo audiências de conciliação que, até o momento, não obtiveram um desfecho que atendesse às expectativas da categoria. A ausência de avanço nas propostas consideradas substantivas pelas entidades sindicais contribuiu para a decisão de greve por tempo indeterminado.
O Secretário-Geral do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul (Sintect-RS), Alexandre Nunes, afirmou que a mobilização é uma resposta à falta de propostas compatíveis com as necessidades da categoria e que a luta continuará até que haja avanços efetivos. “A categoria sempre buscou o diálogo, mas desde agosto a empresa enrola, mente e se negou negociar de fato com os trabalhadores. A própria empresa não deu aos trabalhadores alternativa a não ser a greve por tempo indeterminado. Os trabalhadores não vão pagar a conta pelo desmonte e da incompetências das sucessivas gestões das empresas”, concluiu ele. A agenda do primeiro dia de greve é de concentração em frente as unidades.
Impactos e expectativas
A greve por tempo indeterminado aprovada em diversas regiões coloca em risco a normalidade dos serviços postais em um período crítico para o fluxo de encomendas e correspondências, especialmente no fim de ano. A direção da estatal declarou que mantém esforços para minimizar impactos, incluindo a realocação de trabalhadores em atividades consideradas essenciais e a exploração de horas extras, mas sindicatos manifestam preocupação com a capacidade de a empresa sustentar operações mínimas sem atendimento às principais reivindicações.
Para os trabalhadores, a paralisação é uma resposta à falta de avanço nas negociações e uma tentativa de pressionar por garantias concretas antes do encerramento oficial do ACT, enquanto a empresa busca equacionar suas contas em um contexto econômico adverso, defendendo a necessidade de ajustes para manter o serviço público funcionando.
