O governo Nicolás Maduro enviou, nesta terça-feira (17), uma carta ao Conselho de Segurança da ONU em que solicita a convocação de uma reunião “em caráter de urgência”, diante da escalada militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, para que o organismo possa “adotar as medidas necessárias para restituir a legalidade internacional”.
A demanda é uma resposta ao anúncio de Donald Trump, que ordenou o “bloqueio total” contra embarcações petroleiras sancionadas pelos EUA que fazem o transporte de petróleo venezuelano.
No documento, o governo Maduro denunciou o “grave atentado contra a paz, a segurança e a estabilidade da República Bolivariana da Venezuela, bem como da região latino-americana e caribenha como um todo”.
A Venezuela disse, ainda, que a escalada militar de Washington está “impondo o caos e a destruição nas relações internacionais do mesmo modo como o fizeram os atores malignos que provocaram a Segunda Guerra Mundial”.
Nesta quinta-feira (18), a China declarou seu apoio ao pedido para que o caso seja analisado no Conselho de Segurança. O país é um dos cinco membros permanentes da instância.
“A China se opõe a todos os atos de unilateralismo e intimidação e apoia os países na defesa de sua soberania e dignidade nacional. A China apoia o pedido da Venezuela para a realização de uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU”, disse o porta-voz da chancelaria chinesa, Guo Jiakun, durante uma coletiva de imprensa.
Na quarta-feira (17), o presidente Nicolás Maduro manteve uma conversa telefônica com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Na ligação, de acordo com um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, o mandatário venezuelano classificou as ações da Casa Branca como uma “diplomacia da barbárie”.
Guterres, por sua vez, pediu uma “desescalada imediata” da pressão militar estadunidense. “O secretário-geral está focado em evitar qualquer escalada adicional. O secretário-geral pede moderação e a imediata desescalada da situação”, disse o porta-voz adjunto das Nações Unidas, Farhan Haq.
Mais cedo, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, afirmou, em um pronunciamento transmitido em rede nacional que as Forças Armadas vão defender o território venezuelano “a todo custo”. Disse, ainda, que os militares vão preservar os “legítimos direitos sobre os espaços aéreos e marítimos” venezuelanos.
Escalada incessante
Apesar dos apelos para que Washington reduza a pressão militar sobre a Venezuela, o governo Trump anunciou, na noite desta quarta-feira (17), um novo ataque a uma embarcação que navegava no Oceano Pacífico, sob a justificativa de combate ao narcotráfico.
Agora, o total de bombardeios, de acordo com os dados divulgados pela Casa Branca, chegam a 27. Ao todo, 99 pessoas foram mortas nos ataques.
Ainda nesta quarta-feira, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos colocou em votação duas resoluções que poderiam colocar freio nas investidas de Trump contra Maduro.
As duas propostas visavam forçar Trump a receber aval do Congresso para a realização de ações militares, inclusive contra organizações classificadas como terroristas. Uma das resoluções, que tratava especificamente sobre a Venezuela, poderia abrir o caminho para a retirada da força naval deslocada para o mar Caribe, perto da costa venezuelana.
Apesar das votações apertadas, as duas propostas foram rejeitadas. O congressista democrata Joaquin Castro, um dos proponentes das medidas, afirmou que vai insistir na tentativa de barrar as investidas militares da Casa Branca. “Continuarei a apresentar argumentos aos meus colegas no Congresso de que devemos impedir o Presidente de iniciar uma guerra que o povo americano não deseja e que colocaria nossas tropas em perigo desnecessariamente”, publicou em suas redes sociais.
