A deputada estadual de São Paulo, Ediane Maria (Psol), entrou, nesta quinta-feira (18), com uma representação criminal no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra os parlamentares Tenente Coimbra e Lucas Bove, ambos do Partido Liberal (PL), por violência política de gênero.
Um dia antes, durante a sessão ordinária da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Coimbra afirmou que a liderança do Psol era “acéfala”. Na ocasião, houve um desentendimento entre os parlamentares na discussão em plenário sobre a extinção da carteira de estudante da União Nacional dos Estudantes (UNE).
“Se tem uma liderança acéfala, que não consegue conversar, não consegue dialogar, não consegue organizar a própria bancada, eu acho que a saída é deixar os seus deputados dentro do Congresso de Comissão para que eles vejam aquilo que é conversado entre as lideranças”, disse o parlamentar.
Logo em seguida, o deputado Lucas Bove saiu em defesa do correligionário ao afirmar que há uma “falha de interpretação de texto tremenda” ao entender a declaração de Coimbra como uma ofensa. O parlamentar também afirmou que a bancada da oposição deveria “procurar alguma professora para dar aula de português e interpretação”.
“O dicionário diz que acéfalo, no sentido figurado, é grupo ou pessoa sem liderança, sem comando ou sem direção. Então a liderança do Psol é acéfala. Sem comando, sem direção, porque descumpre acordos, batem cabeça aqui, perdem prazo”, acrescentou Bove.
As declarações foram feitas durante uma discussão sobre o projeto de lei que prevê a criação da Carteira de Identificação Estudantil do Estado de São Paulo. A proposta é criticada por parlamentares da esquerda porque retira da União Nacional dos Estudantes (UNE) a principal fonte de financiamento, que tem o direito de emitir e cobrar pelos documentos.
Para a deputada, as declarações são um caso de “baixaria misógina e nojenta“. “Por não saber o que é democracia, de fato, de maneira autoritária, não quiseram prosseguir com os nossos apontamentos e partiram para as agressões verbais, me chamando de acéfala. Está registrado isso”, afirmou Ediane Maria.
“Basicamente, fui chamada de analfabeta e ignorante em plena tribuna. Homens como Coimbra e Bove não estão acostumados a respeitar mulheres negras e empoderadas, que estão em pé de igualdade com eles”, concluiu.
Ao Brasil de Fato, o deputado Tenente Coimbra afirmou que vê a notícia da representação de “forma tranquila”. “Quem não tem projeto, procura polêmica. Ela deveria estar lutando comigo para que o estudante mais pobre não tivesse a necessidade de pagar R$ 45 todo ano por uma carteirinha que poderia ser online e gratuita”, disse.
A reportagem também procurou o deputado Lucas Bove, mas até o momento não houve retorno. O espaço está aberto para pronunciamentos.
