Balanço político

Analista vê manobra política em acusações a Moraes e aponta virada de Lula em 2025

Para Paulo Niccoli Ramirez, caso Banco Master visa atingir STF; retrospectiva mostra governo superando sanções dos EUA

No audio source provided.
Para cientista político, acusações a Moraes no caso Banco Master são manobra para atingir STF
Para cientista político, acusações a Moraes no caso Banco Master são manobra para atingir STF | Crédito: Rosinei Coutinho/STF

Para o cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Paulo Niccoli Ramirez, as acusações de envolvimento de Alexandre de Moraes no caso do Banco Master são uma manobra para atingir a reputação do ministro e o Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, ele analisou o caso e fez um balanço do ano político de 2025.

Ramirez critica a cobertura seletiva da grande imprensa, que, segundo ele, repete acusações sem provas: “Alguns jornais de São Paulo chegaram a mencionar que a esposa de Alexandre de Moraes mantém o escritório que tem relações e presta serviços milionários ao Banco Master. E também não nos esqueçamos que o próprio processo do Banco Master foi colocado em segredo de justiça por uma decisão unilateral”.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, Moraes realizou seis ligações ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Para o professor, é dúbio que as conversas tenham sido em torno do caso do Banco Master. Ele acrescenta que o tema central das ligações provavelmente foram as sanções da Lei Magnitsky, impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra autoridades brasileiras, incluindo o próprio Moraes, e seus efeitos.

“Seja como for, o Banco Master está sendo investigado, já teve seus prejuízos da sua imagem, assim como os próprios prejuízos causados por eles mesmos ao praticarem taxas de lucratividade de renda, como do CDB, CDI, acima do que o mercado cobra, né? Então, isso já está sendo investigado, assim como a participação de importantes políticos, governadores, deputados e senadores, na participação desse banco, que tudo indica promover a lavagem de dinheiro”, destaca.

Retrospectiva política

O ano de 2025 foi marcado por uma alternância de protagonismo entre a direita e a esquerda. O governo Lula começou o ano com uma baixa aprovação popular e o jogo virou mesmo com as sanções dos Estados Unidos, culminando na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O presidente conseguiu reposicionar a questão da soberania nacional, também com a chegada de Sidônio Palmeira como ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do Brasil que agilizou os processos do governo.

“A mudança da chefia da Secretaria de Comunicação, mudou as estratégias nas redes sociais e surpreendeu evidentemente. O ano termina totalmente diferente daquilo que foi o início do ano, por exemplo, com Nikolas Ferreira (PL) realizando um vídeo viral e mentiroso sobre pix acima de R$ 5 mil”, aponta Ramirez.

Para o cientista político foi um ano em que houve uma “reversão muito grande” da forma como a direita usava a internet. Apesar de continuar usando as redes da mesma forma, não há mais “uma hegemonia total e absoluta, que colocava muito para trás as esquerdas dos movimentos progressistas”.

“Muito em função dessa mudança na comunicação do governo, mas também pelo fato de que a direita, nessa tentativa de livrar o Bolsonaro do processo, a outra tentativa de golpe, usou todo os artifícios, mas que soaram para a população como sendo as piores formas que se articulam contra os interesses do Brasil, mesmo de grupos, né, que eram a favor de Bolsonaro, principalmente no agronegócio”, contextualiza.

Eleições de 2026

Para as eleições de 2026, Ramirez observa um cenário favorável a Lula, que cresce nas pesquisas diante de uma direita fragmentada. “O lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro agora em dezembro mostra uma desorganização, ao contrário da esquerda que está firmada com a reeleição do petista.”

“O resultado dessa história é que o Lula também ganhou uma visibilidade maior no plano internacional, fechando o ano em paz com o governo Trump e superando a Lei Magnitsky. Nos acordos internacionais, das falas, a imprensa internacional deu um grande destaque à forma como a diplomacia brasileira agiu, os novos mercados que foram abertos diante das restrições econômicas norte-americanas, e os velhos acordos que foram resgatados”, conclui, demonstrando a viabilidade de uma política externa soberana e de integração sul-americana em contraposição à pressão estadunidense.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

|

Newsletter