Tensão

China intensifica esforços diplomáticos em conflito na fronteira entre Camboja e Tailândia

Pequim tem defendido uma solução baseada em negociação regional

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Conflitos na região de Preah Vihear remontam ao período colonial francês, com episódios intermitentes de 2008 a 2013, deixando dezenas de mortos e civis deslocados. O confronto de dezembro de 2025 é o mais grave em mais de uma década, com quase 100 mortos, centenas de feridos e cerca de 1 milhão de deslocados,
Conflitos na região de Preah Vihear remontam ao período colonial francês, com episódios intermitentes de 2008 a 2013, deixando dezenas de mortos e civis deslocados. O confronto de dezembro de 2025 é o mais grave em mais de uma década, com quase 100 mortos, centenas de feridos e cerca de 1 milhão de deslocados, | Crédito: Lillian Suwanrumpha/AFP

A escalada de tensões na fronteira entre Camboja e Tailândia levou a China a intensificar sua atuação diplomática no Sudeste Asiático, em apoio aos esforços de mediação conduzidos pela Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Os confrontos, iniciados no início de dezembro, já provocaram centenas de milhares de deslocados e reacenderam disputas territoriais históricas entre os dois países, oriundas do processo colonial francês na região.

Entre 18 e 23 de dezembro, o enviado especial da China para Assuntos Asiáticos, Deng Xijun, realizou uma rodada de diplomacia itinerante entre Phnom Penh e Bangcoc, enquanto o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, manteve conversas telefônicas separadas com seus homólogos cambojano e tailandês, defendendo um cessar-fogo imediato e a retomada do diálogo político.

Pequim tem defendido uma solução baseada em negociação regional, enfatizando que disputas no Sudeste Asiático devem ser resolvidas por meios pacíficos e multilaterais, respeitando a soberania dos países envolvidos. A China também destacou a importância de que a ASEAN fortaleça seu papel como mediadora, garantindo que iniciativas locais e regionais sejam priorizadas sobre intervenções externas.

Além das reuniões, o enviado enfatizou que a proteção da população civil é a prioridade imediata, alertando sobre os riscos humanitários causados pelos enfrentamentos e pelo deslocamento de quase 1 milhão de pessoas. Segundo diplomatas chineses, o objetivo de médio prazo é construir um cessar-fogo sustentável que abra caminho para negociações políticas mais amplas e duradouras, garantindo estabilidade e segurança para a região.

O envio de Deng Xijun à região reflete, na prática, o fortalecimento do papel diplomático da China no Sudeste Asiático, atuando como ponte entre os países em conflito e apoiando mecanismos de mediação regional que busquem soluções pacíficas.

Enfrentamentos deixam mortos, feridos e quase 1 milhão de deslocados

Segundo balanços de autoridades regionais, os confrontos já resultaram em quase 100 mortos e centenas de feridos. O impacto mais imediato tem sido a crise humanitária, que afeta milhares de famílias na região fronteiriça.

Cerca de 900 mil civis foram deslocados desde o início dos combates. Mais de 500 mil buscaram abrigo em áreas mais seguras no Camboja, enquanto aproximadamente 400 mil foram forçados a deixar suas casas na Tailândia. Abrigos temporários foram montados às pressas, e organizações locais alertam para dificuldades no acesso a alimentos, água potável e atendimento médico, especialmente para crianças e idosos.

Os governos de Camboja e Tailândia mobilizaram forças de segurança e equipes de socorro, além de coordenar ações humanitárias com agências internacionais. Escolas, mercados e serviços básicos foram suspensos em áreas afetadas, e a população enfrenta interrupções em transporte e atendimento médico.

Negociações sobre a fronteira seguem sem avanços concretos

O Comitê Geral de Fronteira Camboja–Tailândia se reuniu novamente em 24 de dezembro, com representantes de ambos os países. A pauta incluiu verificação de posições militares, patrulhas conjuntas e monitoramento de áreas sensíveis da fronteira, além de discutir formas de evitar novos incidentes.

O diálogo técnico conta com o apoio da ASEAN, enquanto Pequim oferece sua plataforma diplomática como facilitadora. Até agora, nenhum acordo concreto foi alcançado, e as medidas discutidas seguem apenas como propostas.

Conflitos na fronteira entre Camboja e Tailândia têm raízes no colonialismo francês

Os choques armados começaram em 7 de dezembro na fronteira entre Camboja e Tailândia, uma região marcada por tensões antigas. O Camboja foi incorporado à Indochina Francesa em 1863, permanecendo sob influência francesa até 1953, quando conquistou a independência. Durante o período colonial, suas fronteiras com a Tailândia foram redefinidas por tratados arbitrários.

A Tailândia, então Sião, nunca foi colonizada, mas cedeu territórios em negociações com França e Reino Unido. Ao longo do século XX, incidentes ocorreram periodicamente, especialmente em áreas de templos e terras agrícolas. A escalada atual é uma das mais graves das últimas décadas.

Autoridades de Camboja e Tailândia trocam acusações sobre violações territoriais e movimentações militares, enquanto tropas permanecem mobilizadas, aumentando o risco de um conflito maior.

Editado por: Nathallia Fonseca

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