O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que pode ordenar novos ataques contra o Irã caso o país retome seu programa nuclear. A declaração foi feita nesta segunda-feira (29) em sua propriedade de Mar-a-Lago, na Flórida, onde recebeu o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para discutir a próxima fase do cessar-fogo em Gaza.
Trump alertou que, se o Irã reconstruísse suas instalações nucleares, os EUA “teriam que derrubá-las” novamente.
“Agora ouço dizer que o Irã está tentando se reconstruir, e se estiver mesmo, teremos que acabar com eles”, disse Trump. “Vamos acabar com eles de vez.” Ele acrescentou que o Irã seria “muito mais inteligente” se buscasse um acordo.
O magnata estadunidense disse que a derrota do Irã seria fundamental para a estabilidade regional, alegando que a ação militar conjunta entre EUA e Israel alterou drasticamente o equilíbrio no Oriente Médio. Em meados do ano, os dois aliados atacaram o Irã por 12 dias.
“Acabamos de vencer uma grande guerra juntos”, disse ele. “Se não tivéssemos derrotado o Irã, não haveria paz no Oriente Médio. Nós aniquilamos o Irã.”
Questionado sobre se apoiaria novas ações militares israelenses caso o Irã continuasse avançando com seus programas de mísseis ou nuclear, Trump respondeu afirmativamente. “Se eles continuarem com os mísseis, sim”, disse ele. “Com o programa nuclear, com certeza.”
Hamas
Ao iniciar o encontro com o israelense, Trump exigiu o desarmamento do grupo palestino Hamas, após o braço armado do grupo palestino anunciar que manterá suas armas.
“O Hamas precisa se desarmar”, disse Trump, antes da reunião com Netanyahu para pressionar o chefe de governo israelense para avançar à próxima etapa do frágil plano de trégua em Gaza. O encontro é o quinto entre os dois líderes neste ano.
Trump, que afirmou que a reunião acontece a pedido de Netanyahu, estaria ansioso para anunciar antes de janeiro um governo tecnocrático palestino para Gaza e a mobilização de uma força internacional de estabilização. Grupos palestinos rejeitam qualquer proposta de governo estrangeiro para Gaza.
O gabinete de Netanyahu informou que ele se reuniu com o secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, e o secretário de Guerra, Pete Hegseth, na Flórida, antes de suas conversas com Trump, previstas para as 13h locais (15h de Brasília).
“Nosso povo está se defendendo e não entregará suas armas enquanto a ocupação continuar”, afirmaram as Brigadas Ezzedine al-Qassam, o braço armado do Hamas em uma mensagem em vídeo desta segunda-feira.
O grupo islamista também confirmou a morte de seu porta-voz de longa data, Abu Obeida, meses depois de Israel anunciar que ele havia morrido em um ataque aéreo em Gaza em 30 de agosto.
Frustração com Netanyahu
O site estadunidense Axios informou na sexta-feira que Trump queria convocar a primeira reunião de um novo “Conselho de Paz” para Gaza, que ele presidiria, no Fórum de Davos, na Suíça, em janeiro. Mas a publicação apontou que funcionários da Casa Branca consideravam cada vez mais que Netanyahu se esforça para travar o processo de paz.
“Há cada vez mais sinais de que o governo americano está se frustrado com Netanyahu”, disse Yossi Mekelberg, analista para o Oriente Médio do centro de estudos Chatham House, com sede em Londres.
“A pergunta é o que vai fazer a respeito (…) porque a fase dois, neste momento, não avança”, acrescentou.
Mekelberg observou que Netanyahu tenta desviar a atenção de Gaza para o Irã justamente quando Israel entra em ano eleitoral.
“Tudo está relacionado com permanecer no poder”, afirmou o analista.
