Repercussão

Alba, MST e movimentos populares repudiam ataque à Venezuela e convocam manifestações

De acordo com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, o paradeiro do presidente Nicolás Maduro é desconhecido

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Apoiadores do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, agitam uma bandeira venezuelana durante um ato em defesa da paz em Caracas
Apoiadores do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, agitam uma bandeira venezuelana durante um ato em defesa da paz em Caracas | Crédito: Juan Barreto / AFP

Movimentos populares rechaçaram os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela na madrugada deste sábado (3) e convocaram manifestações em frente às embaixadas estadunidenses contra a ofensiva. De acordo com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores é desconhecido. “Exigimos uma prova de vida imediata do presidente Nicolás Maduro e da primeira combatente Cilia Flores”, disse Rodríguez, em um áudio exibido pela TV estatal. 

A Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba) repudiou o que chamou de “gravíssima agressão militar” contra o país. Para a organização, a ofensiva constitui uma violação da Carta das Nações Unidas e ameaça a estabilidade da América Latina e do Caribe.

Segundo a Alba, o objetivo central da ação seria o controle dos recursos estratégicos venezuelanos, especialmente petróleo e ouro, “por meio de uma lógica colonial de guerra, intervenção e mudança de regime”.

A organização convocou manifestações e a condenação pública do ataque militar. “Convocamos os governos democráticos e comprometidos com a paz da região a rejeitar essa barbárie sem tibiezas, a se pronunciar com clareza e a defender o direito dos povos de viver sem guerras nem agressões imperialistas”, destacou em nota.

MST denuncia imperialismo e expressa apoio à Revolução Bolivariana

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirmou que o ataque representa o ponto máximo de uma série de agressões à soberania da Venezuela. Para a organização, trata-se de uma ação de guerra com interesses coloniais, voltada ao controle dos recursos naturais do país vizinho.

“O objetivo deste ataque não é outro senão confiscar os recursos estratégicos da Venezuela, especialmente o seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da Nação”, disse o movimento, em nota divulgada neste sábado (3). O MST também denunciou o sequestro de Maduro e afirmou que estudantes e dirigentes da organização que estão na Venezuela estão em segurança.

A organização chamou a comunidade internacional à mobilização contra o ataque: “Convocamos todas as organizações populares do Brasil e do mundo a se somarem em solidariedade à Venezuela. Nossas irmãs e irmãos daquele país necessitam do apoio do povo brasileiro”.

Do Brasil, João Paulo Rodrigues, da Secretaria Nacional do MST, afirmou que o movimento mantém no país uma brigada com cerca de 60 integrantes e reforçou o pedido de cautela com a circulação de notícias falsas. “É importante evitar alarmismos e ter cuidado com conteúdos não verificados”, afirmou.

Outras organizações se pronunciam

O Movimento Brasil Popular declarou que o episódio representa uma ameaça à paz e à soberania regional. Em nota, afirmou que os ataques fazem parte de uma ofensiva imperialista que busca saquear as riquezas do povo venezuelano.

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) também condenou a ofensiva e classificou os atos como terrorismo internacional. Segundo o partido, é urgente que governos soberanos, movimentos populares e organizações políticas promovam mobilizações para impedir a escalada da agressão.

Mais cedo, o governo venezuelano divulgou comunicado oficial no qual rejeita “a grave agressão militar perpetrada pelo atual governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelana”. Segundo o texto, os ataques afetaram bases militares, aeroportos, instalações civis e a estrutura elétrica do país.

A Central Única dos Trabalhadores(CUT) também repudiou os ataques, por meio de nota, publicada neste sábado. No texto, a organização sindical brasileira expressa que “tais acontecimentos não representam apenas um ataque a uma nação soberana, mas uma afronta direta à estabilidade democrática de toda a nossa região e aos princípios fundamentais do Direito Internacional.”

A CUT também expressou solidariedade à classe trabalhadora venezuelana. Segundo a entidade, os trabalhadores são sempre os mais afetados “por bloqueios, sanções e intervenções militares que desestabilizam a economia, destroem postos de trabalho e precarizam a vida.”

A central sindical também defendeu a autodeterminação, a soberania dos povos e os direitos humanos. “Não aceitaremos que a força se sobreponha ao diálogo e que a soberania de um povo irmão seja atropelada. A luta por democracia, paz e justiça social é internacional e indivisível.”, finalizou.

Lula afirma que ação ameaça estabilidade regional e viola o direito internacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também se pronunciou neste sábado (3) e condenou os ataques dos Estados Unidos ao território venezuelano. Segundo ele, a ofensiva representa uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela” e um “precedente extremamente perigoso” para a comunidade internacional.

“Esses atos lembram os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”, declarou Lula. Para o presidente, atacar países em flagrante violação do direito internacional é o primeiro passo para “um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.

Lula reforçou que a condenação ao uso da força é compatível com a posição que o Brasil tem adotado em outros conflitos recentes. Ele defendeu ainda uma resposta contundente da Organização das Nações Unidas (ONU) e colocou o Brasil à disposição para promover o diálogo e a cooperação internacional.

Editado por: Rodrigo Chagas

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